Investimento na inovação

Bedy Yang: a brasileira sócia de uma das maiores investidoras de startups do mundo

Bedy é da 500 Global, uma das maiores aceleradoras do Vale do Silício. A 500 já fez aportes em mais de 2.500 startups, e mais de 40 delas são brasileiras

Por  Mariana Fonseca -

 

O Vale do Silício está olhando mais para as startups brasileiras – e parte desse movimento aconteceu por causa de Bedy Yang. Há mais de dez anos, a investidora paranaense é sócia da 500 Global (antigamente conhecida como 500 Startups). Uma das maiores aceleradoras do Vale, a 500 já fez aportes em mais de 2.500 startups. Com a mediação de Bedy, mais de 40 desses negócios escaláveis, inovadores e tecnológicos são brasileiros. VivaReal, Pipefy e Olist estão no portfólio da 500.

Em entrevista ao podcast de empreendedorismo, gestão e inovação Do Zero Ao Topo, Bedy falou sobre como trouxe investimentos para as startups brasileiras há mais de dez anos, muito antes de termos unicórnios nacionais. Também trouxe sua visão sobre futuro do empreendedorismo tecnológico no país.

É possível seguir o programa e escutar a entrevista por meio dos agregadores de áudio ApplePodcastsSpotifyDeezerSpreakerGoogle PodcastCastbox e Amazon Music. Ou, ainda, assistir ao vídeo no YouTubeConfira alguns trechos da entrevista com Bedy Yang, sócia da 500 Global:

Do Zero Ao Topo – Tem empreendedor que olha sua trajetória e pensa na diferença entre empreender no Brasil e empreender nos Estados Unidos. Essa diferença é muito grande? Diminuiu com o tempo?

Bedy Yang – Quando eu me formei, não se imaginava começar um negócio em vez de trabalhar em uma grande empresa, em um grande banco, em uma grande consultoria. Saindo da FGV [Fundação Getúlio Vargas] lá nos anos 2000, eu dizia que ia empreender e as pessoas me perguntavam “por quê?”. Acho que tinha uma questão cultural sobre o que é valorizado, sobre o que é atingir o sucesso.

Foi um começo difícil para mim. Muita gente me disse “não” e me perguntou por que eu achava que conseguiria fazer aquilo que estava querendo fazer. Mas teve um grupo pequeno de pessoas que me dizia “você não tem nada a perder, então por que não tentar?”.

Alguém acreditar nessa possibilidade de montar um negócio grande permitiu a liberação de quem eu sou. E isso teria sido muito mais difícil no Brasil. Em 2010, minha visão foi trazer essa mentalidade de “tudo é possível, vamos colaborar e, se não der certo, também está tudo bem”. Doze anos depois, sinto que o mercado tem louco suficiente para achar essa cultura normal.

Do Zero Ao Topo – Qual foi sua maior dificuldade nesse começo como investidora? Houve algum obstáculo a ser superado, já que você nunca tinha investido antes?

Bedy Yang – Primeiro, acho que eu tive muita sorte para estar onde eu estou. Além desse fator, um dos sócios lá na 500 Global sempre pensou em dar autonomia e eu acho que foi e é uma coisa muito importante. (…) A 500 falou: “Aqui está 2 milhões de dólares. Obviamente conversamos a respeito, mas você tem controle para investir”. A primeira alocação que eu tive e o aprendizado dentro dessa rede acelerou muito meu aprendizado sobre como fazer investimento em startups.

(…) E, muitas vezes, a gente duvida da nossa capacidade. Eu sempre pergunto: “será que eu sou capaz de empreender, de investir?”. Uma vez que você remove essa barreira, tudo é possível. As barreiras internas são muito mais difíceis do que as externas.

Do Zero Ao Topo – Especialmente no venture capital de estágio inicial, para o que vocês mais olham? A atenção está mais no perfil do empreendedor ou nas métricas?

Bedy Yang – A gente olha para três pontos: equipe, produto e mercado. Lógico que olhamos várias métricas, mas, para simplificar, a gente sempre se pergunta: “essa é a equipe que vai achar o produto que vai se encaixar nesse mercado grande?”.

Quando você faz investimento anjo, dificilmente todas as respostas já estão ali. Se estivessem, não seria um investimento anjo, porque não seria um capital de risco. Nós fazemos investimentos em um cenário de incerteza, colocando dinheiro em um futuro que a gente ainda não viu.

Nesse estágio, o que a gente mais olha é a equipe. A gente acaba investindo porque são empreendedores que convenceram a gente de que podem executar suas visões. Tem um lado forte da capacidade desses empreendedores e empreendedoras de projetarem e executarem um futuro. De mostrarem que podem até não ter faturado um milhão nos últimos meses, mas que descobriram cinco coisas conversando com os consumidores. Nesse começo, queremos que a equipe tenha um bom conhecimento do problema do cliente, e de como vão se engajar no uso da solução.

Do Zero Ao Topo – Qual conselho você daria para empreendedores brasileiros que querem receber um investimento da 500 Global?

Bedy Yang – Se você tem interesse de receber nosso investimento, aplique. Muita gente fica com medo. Mas, apesar de eu ter comentado que eu quero você esteja preparado, a gente não vai se encontrar apenas uma vez. A confiança é criada ao longo do tempo. A gente quer ver o quão rápido você trabalha, qual a sua curva de aceleração que podemos projetar para o futuro. Queremos ver quanto você melhorou em um mês.

Just do it (“apenas faça”). Estamos em um momento bom para empreender no Brasil. Existem muitas oportunidades e muitos empreendedores e empreendedoras que já alcançaram o sucesso e estão com a mentalidade de ajudar a próxima geração. É um momento maravilhoso para o empreendedorismo.

Do Zero Ao Topo

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Sobre o Do Zero ao Topo

O podcast Do Zero ao Topo traz, a cada semana, um empresário de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias usadas na construção do negócio.

O programa já recebeu nomes como André Penha, cofundador do QuintoAndar; David Neeleman, fundador da Azul; José Galló, executivo responsável pela ascensão da Renner; Guilherme Benchimol, fundador da XP Investimentos; Artur Grynbaum, CEO do Grupo Boticário; Sebastião Bonfim, criador da Centauro; e Edgard Corona, da rede Smart Fit.

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