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Amyr Klink: o que os mares ensinam sobre o empreendedorismo

Em entrevista ao podcast Do Zero ao Topo, o navegador Amyr Klink relembra trajetória e compartilha os principais aprendizados

Por  Letícia Toledo -

“O tempo é uma grandeza que o ser humano nunca vai dominar e que se perde a cada segundo”, diz o navegador Amyr Klink ao lembrar de sua primeira viagem para a Antártica, em 1990, onde passou 13 meses isolado, sendo sete deles imobilizado pelo gelo, na Baía Dorian.

Essa é uma das muitas reflexões de Klink, hoje com 66 anos, em sua entrevista ao podcast Do Zero ao Topo. É possível seguir o programa e escutar a entrevista via ApplePodcastsSpotifyDeezerSpreakerGoogle PodcastCastbox, Amazon Music e outros agregadores de áudio do país. Ou, ainda, assistir ao vídeo no YouTube.

Amyr Klink se tornou a primeira pessoa a atravessar o oceano Atlântico em um barco a remo, em 1984. Em entrevista ao podcast, o navegador brasileiro relembrou os principais feitos de sua trajetória e compartilhou os aprendizados. Confira trechos da entrevista a seguir.

O fracasso ensina mais do que as vitórias

Do Zero ao Topo – Após cursar economia na USP, você voltou para Paraty. Na época, já praticava remo. Houve algum momento em que te deu um “estalo”, em que você deu conta de que poderia fazer algo a mais com o remo, que queria atravessar o Atlântico? Ou a vontade foi surgindo aos poucos?

Amyr Klink – Não teve esse momento. No começo eu achava uma ideia completamente idiota, absurda, irresponsável. Só que o brasileiro tem mania de se influenciar pelo modelo americano de “we are the winners and you are the losers”. Só que eu eu percebi que a gente aprende muito mais com os erros de terceiros do que as glórias de terceiros. A gente tem essa mania de estudar o Elon Musk e os caras bem sucedidos, mas eu gosto de aprender com os caras que erraram e eu descobri que os caras que tinham errado em travessias oceânicas não erraram por causa do cansaço, das tempestades, da distância, do esgotamento físico e sim erraram por falhas de planejamento. E aí eu resolvi me dedicar a entender por que ninguém tentou atravessar Atlântico Sul. “É impossível? Olha é impossível, mas só é impossível porque ninguém fez”. Enfim, não tem nada de impossível, é só resolver o problema da alimentação, da rota, da navegação. E de repente eu mergulhei no projeto sem querer. Eu fui assim escorregando para dentro da ideia do projeto e foi uma experiência muito legal.

Abraçar o problema — ao invés de lutar contra ele — pode ser a solução

Do Zero ao Topo – Quando você fala do planejamento dessa viagem, uma das dificuldades que teve que resolver foi a da construção de um barco que não podia virar. Conte mais dessa história pra gente

Amyr Klink – Então, a gente vive no Brasil aquela cultura do espeto, né? E eu não gosto. Eu não
gosto da cultura do macunaíma, de um herói covarde e preguiçoso. Eu não gosto, não é questão de discriminação. A gente tem essa mania de ser esperto, de cortar caminho de tentar antecipar… E eu percebi, através da literatura, que no mar você não tem como cortar caminho, você tem que fazer a sua jornada. E aos poucos, eu percebi que esse problema das capotagens era um problema que eu tentei fugir dele até o dia que um engenheiro me falou: “você tem que abraçar o problema, você tem que ter um barco feito para capotar e foi o que aconteceu. Eu capotei bastante no começo da viagem e depois você aprende a não capotar e aí a viagem acabou dando certo.

Excesso de conforto é um problema

Do Zero ao Topo – Depois de passar 13 meses na Antártica, nessa mesma viagem você foi ao Ártico. Já vi você relatando que a viagem foi tranquila, tão tranquila que quase aconteceu um desastre. Foi isso?

Amyr Klink – Esse foi um período em que eu não tive nenhum contratempo e eu percebi que, quando a gente não tem pressão, a gente comete muitos erros, a gente deixa de ser competente e eficiente. Eu passei um período longo no Ártico. Nenhum pepino, nenhuma encrenca, mas foi o período mais perigoso da viagem porque foi um período em que eu que me acomodei e a acomodação é muito
crítica. Eu quase perdi meu barco oito vezes em bobagens completamente ridículas, como a falta de atenção. E aí eu percebi que quando você tem excesso de recursos você se torna pródigo, gastar mal. Quando você tem excesso de conforto, você não usa a sua criatividade. E aí entendi que essa questão da crise, da pressão, é uma questão muito importante pra gente colocar em prática aquilo que a
gente sabe fazer.

O planejamento muda o tempo inteiro

Do Zero ao Topo – A gente fala muito sobre a necessidade de planejar bem as coisas, mas ouvindo as suas histórias fica evidente a necessidade de rever esse planejamento? Como você adequa o seu planejamento? De quanto em quanto tempo é preciso revê-lo?

Amyr Klink – O tempo inteir , porque você vive no ambiente de total imprevisibilidade. Então, tudo aquilo que você planejou é importante, mas tudo tem que poder ser adequado para as variantes que acontecem em volta. A gente vive hoje em um mundo muito hiper dinâmico onde, de repente, uma profissão ou um modelo de negócio não existe mais e existem outros que substituem. Então, você tem que ter uma agilidade muito grande e esse ambiente imprevisível, eu acho que ele cria uma atitude positiva nas pessoas que é a de entender que tudo pode mudar. Então eu acho que essa capacidade de entender o contexto e enxergar para onde as coisas vão, ela é extremamente importante hoje no mundo corporativo.

Do Zero Ao Topo
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Sobre o Do Zero ao Topo

O podcast Do Zero ao Topo traz, a cada semana, um empresário de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias utilizadas na construção do negócio.

O programa já recebeu nomes como André Penha, cofundador do QuintoAndar; David Neeleman, fundador da Azul; José Galló, executivo responsável pela ascensão da Renner; Guilherme Benchimol, fundador da XP Investimentos; Artur Grynbaum, CEO do Grupo Boticário; Sebastião Bonfim, criador da Centauro; e Edgard Corona, da rede Smart Fit.

 

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