Zara estreia loja online no Brasil e acirra competição no setor

Operação de e-commerce chega ao país no dia 20 de março e contará com entrega rápida em alguns mercados  

Paula Zogbi

Divulgação
Divulgação

Publicidade

SÃO PAULO – A partir desta quarta-feira (20), o site da Zara no Brasil passa a contar com uma loja virtual que atende o país inteiro a partir de suas 57 lojas.

Além do site comum, o e-commerce poderá ser acessado via dispositivos móveis pelo app da marca nos sistemas iOS e Android. Quem visita a página brasileira da varejista agora se depara com um aviso da data de início das operações e um convite para receber uma newsletter. Não se sabe se a Zara Home fará parte da iniciativa em um primeiro momento. 

Em comunicado, a empresa disse que oferecerá serviços de entrega ou retirada em loja física. Entre os diferenciais, clientes poderão contar com frete grátis em determinadas compras e entrega rápida em Belo Horizonte e Curitiba, além das regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro. Na capital paulista, será possível pagar pela entrega no mesmo dia da compra.

Planner InfoMoney

Mantenha suas finanças sob controle neste ano

Para marcas nacionais ou mais estabelecidas no país, a novidade representa acirramento de concorrência. Até então, a Zara competia apenas nos 17 estados em que tem lojas. Agora, chega mais perto do alcance de marcas como Riachuelo, Marisa, Renner e Hering, brasileiras que têm lojas online, e a holandesa C&A, que tem no Brasil um mercado importante.

A Inditex, dona da marca, divulgou em seu balanço mais recente um aumento de 27% nas vendas online, para 3,2 bilhões de euros. Nos mercados em que oferece as duas opções (lojas físicas e online), 14% das compras já são feitas pela internet. Também há 106 mercados em que a empresa opera apenas e-commerce.

Preço e agilidade ainda são problemas

Em quase todos os países em que tem presença, a Zara tende a ser uma varejista de massa. No Brasil, todavia, a realidade ainda é outra: a marca ainda é muito cara por aqui, principalmente por conta de uma tarifa de importação de 35%, de acordo com um relatório publicado no início do ano pelo Bradesco BBI. Vale lembrar que a Zara brasileira é a mais cara do mundo, de acordo com o mais recente Zara Index.

Continua depois da publicidade

Também entra na conta o fato de a produção da empresa localmente corresponder a menos de 10% do volume de vendas, o que cria maiores dificuldades. “A Zara e outras varejistas de moda enfrentam outros desafios além das tarifas de importação”, diz o relatório. “Por exemplo, a infraestrutura fraca em portos e atrasos nas checagens significam que é difícil operar o modelo fast fashion, que requer que as empresas sejam ágeis”, complementa.

Considerando estes fatores, por mais que a presença da Zara seja ampliada, é pouco provável, de acordo com os analistas, que os preços e a rapidez da chegada das coleções nas lojas (essencial no mercado de moda) sejam tão competitivos por aqui quanto no resto do mundo, a não ser que a empresa inaugure outras fábricas no país.

Invista melhor o seu dinheiro. Abra uma conta gratuita na XP. 

Paula Zogbi

Analista de conteúdo da Rico Investimentos, ex-editora de finanças do InfoMoney