Walmart pode ter as próprias smart TVs, acirrando disputa no mercado de streaming

Smart TVs próprias, com navegação de serviços de streaming, permitiriam ao Walmart incluir televisões mais caras em suas prateleiras

Mariana Fonseca

(Bloomberg)
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SÃO PAULO — O Walmart deu mais um passo em direção à tecnologia. Agora, a rede americana de supermercados pode estar escolhendo seu parceiro para entrar na guerra dos serviços de streaming. De acordo com fontes consultadas pelo Wall Street Journal, o Walmart está conversando com o conglomerado de telecomunicações Comcast para distribuir as próprias smart TVs.

A Comcast se especializou na televisão a cabo, mas tem apostado em promover a navegação por diversos serviços de streaming (como HBO, Netflix e Spotify). Seu equipamento de transmissão Xfinity transforma televisões normais em inteligentes.

As novas smart TVs podem ter a marca Walmart e o software da Comcast. A produção dos televisores seria terceirizada. “Temos conversas constantes com fornecedores novos e atuais sobre inovações e sobre novos produtos que podemos trazer para os nossos consumidores. Não abrimos detalhes dessas discussões”, afirmou Ryan Peterson, vice-presidente de eletrônicos do Walmart, ao Wall Street Journal.

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A estratégia de Walmart e Comcast

Smart TVs próprias e com navegação de serviços de streaming permitiriam ao Walmart incluir televisões mais caras em suas prateleiras, além de ter sua marca estampada em um produto de tecnologia.

“O Walmart vem apostando no setor de tecnologia há muito tempo, começando com o comércio eletrônico. Recentemente, se envolveu na compra do TikTok. O posicionamento mais forte nessa vertente é uma forma de competir com mais eficiência contra a Amazon. A estratégia tem dado certo”, afirma Guilherme Giserman, estrategista internacional da XP.

Já a Comcast tem como competidoras gigantes de tecnologia que também fabricam equipamentos que transformam televisões convencionais em inteligentes e que permitem navegar por diversos serviços de streaming. Alguns exemplos são as centrais de entretenimento Apple TV (Apple), Chromecast (Google), Fire TV (Amazon) e Roku.

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Com a parceria, a Comcast ganharia a carteira de clientes da rede americana de supermercados. Poderia, inclusive, promover seu próprio serviço de streaming, o Peacock, nas televisões inteligentes do Walmart.

O futuro do streaming (e dos seus equipamentos)

“O mercado de streaming já estava borbulhando em 2018 e 2019. Com a pandemia, mais empresas acordaram para essa oportunidade”, afirma Thiago Romariz, cofundador do aplicativo de curadoria de streaming Chippu.

A empresa de pesquisa de mercado Allied Market Research estimou que o mercado global de transmissão online de conteúdo atingiu faturamento de US$ 38,56 bilhões em 2018. O crescimento médio anual deve ser 18,3% entre 2019 e 2026, chegando a US$149,34 bilhões ao ano no fim desse período.

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Com isso, o mercado de equipamentos de streaming também se expande. A própria Allied Market Research avaliou o setor globalmente em US$ 7,98 bilhões no ano de 2019. Entre 2020 e 2027, o crescimento médio anual projetado é de 13,2%. O mercado chegaria a US$ 18,98 bilhões em 2027.

Romariz afirma que os serviços de streaming não conseguirão mais sobreviver de maneira isolada: terão de encontrar um modelo de negócio em que propostas se unam e o consumidor não pague US$ 10 por cada uma das plataformas.

Enquanto as produtoras de conteúdo podem formar “combos”, os produtores de equipamentos tentam operacionalizar essas parcerias e, ao mesmo tempo, inserir sua tecnologia dentro das TVs.

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“As televisões ainda têm o maior número de pessoas que assistem ao streaming, não os celulares. As pessoas ainda preferem uma tela maior. A preferência motiva as uniões de hardware e software como vemos agora entre Comcast e Walmart”, diz o empreendedor em streaming.

Mariana Fonseca

Subeditora do InfoMoney, escreve e edita matérias sobre empreendedorismo, gestão e inovação. Coapresentadora do podcast e dos vídeos da marca Do Zero Ao Topo.