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SÃO PAULO – A Volvo Car está prestes a se tornar a primeira grande fabricante de automóveis a construir carros na China para o mercado americano, ressaltando a ameaça iminente das importações chinesas para as fabricantes de carros de Detroit.
A fabricante sueca, adquirida pela Zhejiang Geely Holding Group em 2010, planeja exportar o sedã médio S60L produzido em Chengdu para os EUA neste ano, disse Stefan Elfström, porta-voz da empresa, ontem em entrevista por telefone, na véspera da abertura do Salão Internacional do Automóvel Norte-Americano para a mídia, em Detroit.
“É um pequeno passo para que a China se torne, sob o ponto de vista da indústria automotiva, realmente um player internacional – não apenas uma força dominante doméstica – em termos de volume”, disse Jeff Schuster, analista da LMC Automotive em Troy, Michigan, EUA. “Mas é um teste. Esses veículos passarão por uma certa avaliação para garantir que estão de acordo com a qualidade aqui nos EUA e com os padrões internacionais”.
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A meta da indústria automotiva chinesa de seguir as fabricantes de automóveis japonesas e coreanas e ir para os EUA teve muitas largadas queimadas.
Em 2005, a Chery Automobile tinha planos de exportar carros para os EUA até 2007 e a Geely disse no Salão do Automóvel de Detroit que venderia um carro compacto em 2008 nos EUA por menos de US$ 10.000.
Em 2007, executivos da Changfeng Motors disseram em Detroit que também estavam à procura de concessionárias para iniciar a venda nos EUA já em 2008. Nenhum desses planos se concretizou.
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“Eu não acredito que eles tenham sentido que contavam com o produto certo e não acredito que tivessem a qualidade certa”, disse John Wolkonowic, analista automotivo independente de Boston, EUA. “Eles não querem repetir o que os coreanos fizeram com a Hyundai no primeiro ano, o que os japoneses fizeram com a Toyota no primeiro ano – todas elas tiveram uma experiência ruim. Os chineses estão dizendo que não querem fazer isso”.
A Volvo tem a melhor oportunidade para exportar para os EUA porque “é mais um produto internacional do que um produto da China”, disse Wolkonowic.
A Geely, do bilionário chinês Li Shufu, comprou a Volvo da Ford Motor em 2010. A fabricante de automóveis sueca mudará seu leque de produtos nos próximos cinco anos em uma tentativa de manter sua reputação de segurança, construída durante décadas. O foco promocional principal da empresa no momento está no lançamento, neste ano, do SUV XC90, o primeiro modelo da Volvo completamente desenvolvido sob propriedade da Geely.
A marca, que tem unidades de montagem na Suécia e na Bélgica, abriu sua primeira fábrica em Chengdu, China, em 2013. O CEO da Volvo Cars, Hakan Samuelsson, havia sinalizado que a empresa poderia usar a capacidade ociosa da instalação chinesa para exportações. A Reuters reportou anteriormente os planos da Volvo de exportar para os EUA neste ano.
No ano passado, a China se tornou o maior mercado para a Volvo Cars, com um aumento de 33% nas vendas, para 81.221 unidades.
A Volvo mira um incremento de 67% nas vendas americanas em um momento em que está dobrando seus gastos com marketing e lançando novos produtos, incluindo o XC90 e a wagon V60 Cross Country, como parte de um esforço para conter uma década de quedas nas vendas. As vendas nos EUA caíram 7,9% no ano passado, para 56.366, segundo a empresa de pesquisas Autodata.
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“O nome Volvo tem muita credibilidade”, disse Tom Libby, analista da IHS Automotive. “Não existem muitos dos questionamentos que estariam sendo feitos se o carro tivesse o nome de uma fabricante chinesa. A pergunta seria: essa coisa é boa? Onde eu consigo assistência técnica? Quem é o vendedor? Essas perguntas, francamente, não existem com a Volvo. O fato de os carros serem montados na China é de menor importância”.