Vilão inocente: remédios comuns podem causar acidentes de trânsito

Entre eles estão antigripais, que interferem no nível de atenção necessário para o motorista dirigir com segurança

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SÃO PAULO – Medicamentos usados diariamente por muitas pessoas, geralmente sem orientação médica, representam um grande risco, quando ingeridos por quem vai assumir o volante de um veículo.

Antigripais comuns ou até mesmo antiespamódicos – usados em crianças e para aliviar cólica menstrual – podem provocar acidentes, já que interferem na capacidade de manter o nível de atenção necessário para o motorista dirigir com segurança.

Cuidado!

O diretor da Abramet (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego), o médico Moise Edmond Seid, orienta as empresas a exigirem que o motorista apresente a receita médica para um médico da firma antes de ingeri-lo, para que o profissional avalie se ele está apto a conduzir.

Seid recomenda que o profissional não assuma o comando de um veículo ao iniciar um tratamento e ainda ressalta a necessidade de proibir a associação de remédios com o consumo de ácool.

“Muitas substâncias provocam sonolência, aumento do tempo de reação, dificuldade de enxergar e até convulsão, o que pode ser agravado pelo uso concomitante do álcool”, alerta.

Alerta ao usuário

A Abramet propõe que sejam impressos símbolos de alerta nas embalagens dos produtos que interferem no ato de dirigir.

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Ainda mais se foram os antidepressivos ou antiepiléticos, que, como observou o especialista, aumentam os riscos de gerar um acidente no trânsito.

“Dirigir sonolento é um grave problema de saúde pública”, adverte Seid, ao afirmar que o sono é um dos causadores de acidentes de trânsito.

Medicamentos

Confira na lista abaixo algumas substâncias que prejudicam a direção veicular:

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Medicamentos O que provocam
Ansiolíticos, tranqüilizantes (Lexotan, Lorax, Dienpax) Sonolência e aumento do tempo de reação
Antidepressivos tricíclicos (Tryptanol, Tofranil, Anafranil) Perda de cognição, midríase (dilatação da pupila e dificuldade de visão)
Neurolépticos (Haldol) Aumento do tempo de reação, sedação e sonolência
Hipnóticos (Dalmadorm, Dormonid, Rohipnol) Sonolência
Antiepiléticos (Gardenal, Hidantal) Sonolência e confusão mental
Analgésicos (Tylex, Tramal) Aumento do tempo de reação
Relaxantes musculares (Tandrilax, Mioflex) Sonolência e aumento do tempo de reação
Estimulantes (anorexígenos / anfetaminas) Insônia, irritabilidade, agressividade e efeito rebote
Analgésicos/opiáceos (derivados da morfina) Sonolência
Anti-hipertensivos (Aldomet) Sedação e letargia
Antialérgicos (Fenergan) Sonolência
Antieméticos (Plasil) Sedação
Antiespasmódicos (Buscopan) Embaçamento nas vistas
Hipoglicemiantes orais e insulina (Daonil, Diabinese) Hipoglicemia
Broncodilatadores (Aerolin, Aminofilina) Taquicardia, tremores e convulsão

Fonte: CNT – Confederação Nacional do Transporte