Viagens corporativas: faturamento cai, mas tarifaço não deve impactar 2º semestre

Os destaques foram nos setores de cruzeiros, hotéis e rodoviário

Camila Lutfi

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O setor de viagens corporativas faturou cerca de R$ 6,57 bilhões durante o primeiro semestre de 2025. Os destaques positivos no período foram os cruzeiros, além de hotéis e setor rodoviário — os dois últimos representam, juntos, quase 32% do total.

Apesar da queda de 2,8% em relação ao faturamento do mesmo período de 2024, apenas 5 das 11 áreas analisadas pela Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp) apresentaram baixas entre janeiro e junho de 2025.

Douglas Fernandes e Camargo, diretor executivo da Abracorp, afirma que o tarifaço não teve muito alto no resultado e diz que a associação mantém as projeções de crescimento para o segundo semestre.

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Entre os destaques, o segmento rodoviário rendeu 15% a mais do que no ano passado, fechando o semestre com R$ 30,6 milhões. Por sua vez, os hotéis ocupados por viagens corporativas registraram R$ 2,035 bilhões no período. Nesses setores, a tarifa média praticada também aumentou, o que pode ter impactado no resultado.

O maior crescimento em comparação a 2024 foi nas viagens a trabalho em cruzeiros. O faturamento subiu 29% entre janeiro e junho deste ano, conquistando R$ 1,4 bilhão.

Por sua vez, os setores ferroviário (-21,56%), locação de veículos (-2,77%), pacotes de viagens/lazer (-17,79%), serviços aéreos (-6,60%) e vistos e documentos (-2,75%) reduziram seus faturamentos no período analisado.

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Ainda, o relatório da Abracorp mostrou que o primeiro semestre manteve a média de quase 50% das viagens nacionais marcadas com 16 dias de antecedência ou mais. Somente 6% marcaram suas viagens com um dia de antecedência.

Confira o faturamento das viagens corporativas no 1º semestre de 2025

Produto/Serviço1º semestre de 20251º semestre de 2024Variação
CruzeirosR$ 1.484.203,54R$ 1.149.398,3929,13%
Demais ServiçosR$ 409.126.569,52R$ 351.611.651,7516,36%
FerroviárioR$ 1.310.200,35R$ 1.670.282,10-21,56%
HotéisR$ 2.035.578.411,22R$ 2.006.211.675,961,46%
Locação de VeículosR$ 189.811.543,30R$ 195.217.454,31-2,77%
Pacotes de Viagens/LazerR$ 75.373.307,31R$ 91.688.249,73-17,79%
RodoviárioR$ 30.678.969,05R$ 26.798.584,5414,48%
Seguro ViagemR$ 11.794.160,94R$ 10.408.610,5513,31%
Serviços AéreosR$ 3.788.284.570,95R$ 4.055.976.092,35-6,60%
TransferR$ 29.988.296,05R$ 26.767.595,8112,03%
Vistos e DocsR$ 851.306,99R$ 875.363,36-2,75%
TOTALR$ 6.574.281.539,22R$ 6.768.374.958,86-2,87%

Aviação em queda mesmo com maior faturamento

O setor aéreo foi responsável por cerca de 58% do faturamento geral, mas ainda assim fechou o semestre com queda. Para Douglas Fernandes e Camargo, diretor executivo da Abracorp, há dois impactos que contribuíram para esse resultado.

O primeiro — e principal — é o encarecimento do preço da passagem aérea. No período, passagens ficaram 6,2 % mais caras, com preço médio de tarifa em R$ 1.666,71.

Já o segundo foi o período marcado por muitos feriados e uma pequena mudança no hábito do viajante, que optou por outras alternativas nas viagens corporativas.

ProdutoPreço médio da tarifa (2025)Preço médio da tarifa (2025)Variação
Serviços AéreosR$ 1.666,71R$ 1.568,83+6,2%
HotéisR$ 386,51R$ 360,72+7,2%
Locação de VeículosR$ 161,50R$ 147,70+9,3%
RodoviárioR$ 181,57R$ 175,02+3,7%

É possível notar, ainda, que o faturamento de locação de veículos também caiu, quase 3%, apesar de a tarifa média no setor apresentar aumento de 9%. A média das tarifas no segmento dos seis primeiros meses deste ano foi de R$ 81,31, enquanto no mesmo período do ano passado foi R$ 147,40.

Tarifaço de Trump não deve impactar no 2º semestre

Sobre as últimas medidas tarifárias impostas ao Brasil — de 50% sobre as exportações brasileiras aos Estados Unidos —, o diretor executivo afirma que a primeira análise da Abracorp é conservadora.

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Vale lembrar que a medida começa a valer a partir desta quarta-feira (6). A medida, assinada por Donald Trump na semana passada, soma a tarifa recíproca de 10% a uma sobretaxa específica de 40%, aplicável a cerca de 35% das exportações do Brasil para os EUA.

“Acreditamos que o impacto nos nossos negócios não foi alto. Vamos analisar como reagem os setores mais atingidos, café e carne bovina. De toda a forma, com o resultado do primeiro semestre, mantemos nossas projeções de crescimento”, diz Camargo, em nota.