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SÃO PAULO – De acordo com dados da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), as vendas de pacotes nacionais, que incluem avião, caiu 40% nos últimos meses.
Para Eduardo Nascimento, vice-presidente da Abav e diretor do Sindicato de Turismo de São Paulo (Sindetur-SP), uma das principais causas desta queda é o caos aéreo. “Essa confusão nos aeroportos diminui muito a venda de pacotes turísticos. Afinal, quem vai querer sair do conforto do seu lar para enfrentar horas, às vezes até dias, para embarcar em um avião?”
Mas se a venda de pacotes caiu, como explicar que os saguões dos aeroportos continuam lotados? “Acontece que apesar da queda nas vendas, o número de embarques subiu. Isso porque quem deixa de viajar é o turista, que viaja para se divertir e relaxar. No entanto, as pessoas que antes viajavam de ônibus, hoje compram passagens baratas em promoções de companhias aéreas e embarcam para visitar parente, se hospedar na casa de amigos ou mesmo para voltar ao seu estado natal”, explica.
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Prejuízo
Com o afastamento do turista, não só as agências de viagem amargam prejuízos. “Essa situação acaba prejudicando todo o setor hoteleiro, os comércios e muita gente que vive do turismo. O que adianta o ministério fazer campanha pesada para incentivar o turista se a situação atual o desanima?”
Nascimento diz ainda que nem as férias de julho e nem os jogos Pan-americanos devem reverter a situação: “As pessoas não vão sair de casa para viajar de avião e enfrentar essa bagunça nas férias. Quem deve lucrar com isso são os hotéis próximos a São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que permitem acesso de carro. E também é ilusão achar que os Pan-americanos podem melhorar a situação. Quem gosta destes jogos é um público bem específico, que por mais que seja grande, não é suficiente para alterar esses dados”, explica o diretor.
Outro fator bastante relevante é que a confusão nos aeroportos está afetando também a vinda de turistas internacionais para o Brasil: “Os turistas portugueses estão trocando o nordeste brasileiro por outros destinos. E isso é meio óbvio. Eles lêem lá no país deles sobre a bagunça que está aqui e decidem ir para outros lugares, e com isso todo o turismo brasileiro amarga o prejuízo”, garante.
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Outros fatores
No entanto, Nascimento afirma que o caos aéreo não é o único culpado pela queda nas vendas: “Hoje em dia as companhias de aviação oferecem péssimos serviços ao cliente. As aeronaves de vôos domésticos são velhas e apertadas. Quem tem mais de 1,50m não consegue esticar a perna. Isso sem falar no serviço, que também deixa muito a desejar. Em alguns vôos não é servido nada aos tripulantes”.
Ainda de acordo com o diretor, atualmente tem muita gente trocando os aviões pelos ônibus, que hoje oferecem muito mais conforto, com poltronas largas que viram cama, ar condicionado funcionando, serviço de bordo, a preços mais convidativos e com embarques nas horas certas.
Nascimento também acredita que com a valorização do real, quando o turista decide enfrentar o caos aéreo, acaba optando por pacotes internacionais. “Ele tem a opção de ir para a Argentina ou para Cancun por um preço pouca coisa mais caro, e acaba decidindo sair do País na hora de fazer turismo”, garante.