Varejistas e industriais prometem segurar os preços

Mesmo com a alta do dólar, novos reajustes não devem acontecer para não colocar em risco o volume de produtos vendidos em 2003

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SÃO PAULO – Com a alta do dólar nesta última semana, muitos consumidores voltaram a se preocupar com a possibilidade de novos reajustes nos preços. Contudo, de acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), novos reajustes não devem acontecer, apesar do aumento nos custos, devido à alta do dólar.

Novos reajustes não devem acontecer

Na opinião da Abras, mesmo com a maior pressão sobre os custos, não existe mais espaço para novos aumentos nos preços, pois a renda dos brasileiros está cada vez mais achatada. Além disso, novos reajustes implicariam em queda no volume de vendas, o que seria prejudicial para o varejo e a indústria.

Nos dados preliminares da associação, as vendas de janeiro devem apontar queda em relação ao mesmo período do ano passado, refletindo os reajustes dos preços no final do ano passado. Nesse início de 2003, ocorreram reajustes apenas nos produtos localizados ou sazonais, como a cerveja, que sempre registra aumento na época do verão.

Por outro lado, itens que possuem elevada exposição à variação cambial, como aqueles derivados do trigo, como o pão e o macarrão não sofreram aumentos em 2003. Isso porque, a moeda norte-americana chegou a cair nas primeiras semanas de janeiro, mas voltou a subir diante da iminência de um conflito no Iraque.

Com alta do dólar, setor refaz estratégias

As varejistas conseguiram comprar parte dos estoques com o dólar num patamar mais baixo, no entanto, com a nova alta do dólar, que está sendo cotado a R$ 3,60 nos últimos dias, o setor foi obrigado a alterar os planos e adotar novas estratégias.

Quando as projeções foram traçadas, estimava-se que o dólar estaria sendo cotado a aproximadamente R$ 3,27, o que efetivamente não aconteceu. Desse modo, os varejistas decidiram aguardar novas definições, com a possibilidade de trocar de fornecedor em caso de impasse na política de reajuste de preços.

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Enquanto isso, as indústrias prometem manter os preços, visto que no ano passado, o desempenho do setor foi bastante fraco. A fabricante de alimentos Chapecó, por exemplo, não conseguiu repassar integralmente os reajustes nos preços das rações e dos custos com a alta do dólar.

Em 2003, com os estoques ainda bastante elevados, em função do excesso de oferta de aves no mercado, a Chapecó decidiu ampliar as exportações visando reduzir as perdas com o aumento dos custos. No mercado interno, a empresa foi obrigada a cortar as margens de lucro para conseguir vender as suas mercadorias.

Outro caso semelhante é o da Danone, do ramo de alimentos lácteos, que conseguiu repassar apenas 8% aos varejistas durante o mês de janeiro. Mesmo com o aumento nos custos, a empresa não deve promover novos aumentos, principalmente, porque os produtos lácteos como os produzidos pela Danone são considerados itens supérfluos por grande parte das famílias brasileiras. Assim novos aumentos certamente implicariam em queda nas vendas.

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Poder aquisitivo dos brasileiros segue em queda

Para o coordenador da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), Heron do Carmo, os preços aos consumidores devem recuar em fevereiro, pois não existe mais espaço para novos reajustes.

Como a renda dos trabalhadores continua em queda, as indústrias e as varejistas serão obrigadas a adotarem outras medidas para conseguirem repor as perdas geradas com o aumento nos custos.

Vale ressaltar, que a deterioração na renda dos consumidores é prejudicada também pelo aumento nos preços administrados, ou seja, àqueles referentes aos gastos relacionados às concessionárias públicas, como telefone, água e luz. Estima-se que em torno de 27% do orçamento das famílias brasileiras sejam destinadas as despesas públicas.