Universidade pública se mostra menos elitista do que se imaginava

Pesquisa revela que maioria dos estudantes vem de famílias com renda mensal igual ou inferior a R$ 2.804

Publicidade

SÃO PAULO – A universidade pública brasileira parece menos elitista do que se imaginava. Esta é uma das principais conclusões de uma pesquisa realizada junto a 47 instituições federais de ensino, cujos resultados revelam que mais da metade dos estudantes possui renda familiar igual ou inferior a R$ 2.804.

Ainda conforme o estudo, 46,2% dos alunos destas universidades cursaram o ensino médio majoritariamente em escolas públicas, e 44% deles contribuem para o orçamento de casa. Outros dados que comprovam a presença de classes menos abastadas nas salas de aula das instituições federais mostram que 60% dos estudantes vão para a faculdade de ônibus e 25% freqüentam os restaurantes universitários.

O estudo foi realizado pelo Fonaprace (Fórum Nacional Pró-Reitores de Assuntos Comunitários e Estudantis), entidade que reúne os responsáveis pela assistência a estudantes de todas as 54 universidades federais do Brasil.

Política de acesso à universidade pública

O maior objetivo desta sondagem sócio-econômica dos estudantes do ensino público superior é fornecer informações para a elaboração de políticas de acesso à universidade e de manutenção dos alunos até a conclusão dos cursos, segundo explicações de Thérèse Hofmann, coordenadora do Fonaprace.

Ainda de acordo com a pesquisa, as mulheres são maioria nas universidades públicas, representando 53,2% dos matriculados. No que se refere à cor da pele, item que é apurado por auto-declaração, os brancos ocupam o maior número de vagas, com 59,4% do total.

No quesito cultural, o estudo mostra que 62,4% dos universitários lêem até seis livros por ano, e 51,1% deles utilizam os telejornais como a principal fonte de informação, enquanto 60% são usuários da internet.