Universal Design: vale a pena fazer uma casa para a vida inteira?

Novo estilo pretende garantir que a residência se adapte a diversos tipos de moradores, em fases distintas da vida

Publicidade

SÃO PAULO – Ao fazer o projeto de uma residência, os donos e o arquiteto sempre têm em mente o horizonte de 10 a 15 anos para estimar as exigências da família. Considerando que no Brasil as cidades apresentam grandes fenômenos especulativos, dentro desse período é possível prever algumas alterações no bairro e na cidade, que irão afetar o uso e o valor da propriedade.

Contrariando essa lógica e seguindo as tendências internacionais, está surgindo no Brasil o conceito da “casa universal”, ou construída com o universal design, uma residência planejada para diversos tipos de uso.

Com um único projeto e sem necessidade de grandes reformas posteriores, a casa seria um espaço propício para diferentes tipos de família e para todas as fases da vida de um casal. Um conceito inteligente, que otimiza o uso dos espaços e preserva a propriedade contra a depreciação ao longo do tempo.

O conceito

O universal design surgiu nos EUA nos anos 90 e sua preocupação está na adaptabilidade da residência para distintos moradores, em diferentes fases de sua vida. É a casa perfeita para qualquer morador, independente de sua capacidade física. A residência ideal para crianças, idosos e deficientes físicos.

Comparado a uma residência convencional as diferenças do novo estilo de construção são quase imperceptíveis. A casa projetada pelo novo conceito possui escadas mais largas e seguras, pontos de tomada mais acessíveis, portas dos banheiros maiores e pontos para a instalação de elevadores. Além disso, os ambientes são ligeiramente maiores, e os degraus desnecessários são eliminados, para facilitar a circulação de crianças e idosos.

Esses são alguns exemplos que aumentam a qualidade de vida de seus moradores. Mesmo que no momento presente as modificações não ajudem no dia-a-dia na família, certamente em alguns anos os moradores sentirão falta dos pequenos detalhes que agilizam sua vida dentro da residência.

Continua depois da publicidade

No lugar certo

Já que as cidades brasileiras são novas, longe de sua configuração definitiva, as políticas urbanas e a ação do mercado podem alterar em pouco tempo a paisagem numa determinada zona residencial. O que numa época era sinônimo de riqueza e conforto, em algumas décadas pode se transformar em regiões violentas e degradadas. Ou pelo menos com comércio intenso, afugentando moradores de alto poder aquisitivo.

São esses fenômenos que colocam em risco a construção de qualquer residência com o conceito universal design no Brasil. Por apresentarem um alto custo de implantação, as residências somente devem ser construídas em locais nobres, com certa estabilidade e potencial de valorização. É o caso de condomínios urbanos próximos a zonas empresariais de alto padrão, próximos a parques, e com zoneamento especial.

Com a consolidação de zonas residenciais nas cidades brasileiras, o design universal pode se tornar uma constante em qualquer projeto residencial. O envelhecimento da população também será um fator positivo para a difusão do conceito em todo país. Projetos inteligentes e bem pensados podem economizar custos de adaptação posteriores e gerar conforto e bem-estar para toda a família. Em qualquer fase da vida.