Uber pode precisar da supervisão de um adulto após controvérsia sobre bisbilhotice

O debate cada vez mais profundo sugere que Kalanick poderia precisar de mãos mais experimentadas para guiar a ele e à empresa com sede em São Francisco, que é a startups de tecnologia de maior valor nos EUA

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Assim como o Google e o Facebook antes dele, o Uber atualmente pode estar precisando da supervisão de um adulto.

O CEO Travis Kalanick, 38, está lidando nesta semana com uma onda de críticas em relação às observações que um de seus principais assessores, Emil Michael, fez sobre a espionagem a jornalistas.

A situação teve mais um capítulo ontem quando a publicação on-line BuzzFeed disse que uma de suas repórteres foi monitorada por um executivo do Uber Technologies Inc. sem sua permissão. O Uber agora está investigando esse gerente, disse uma fonte com conhecimento do assunto.

Em agosto, o Uber contratou David Plouffe, um ex-assessor do presidente do EUA, Barack Obama, que agora dirige o setor de comunicação da empresa. O debate cada vez mais profundo sugere que Kalanick poderia precisar de mãos mais experimentadas para guiar a ele e à empresa com sede em São Francisco, que é a startups de tecnologia de maior valor nos EUA.

“O Uber ganhou alguma publicidade entre a cultura de fraternidades presente nas universidades americanas e poderia se beneficiar se contratasse uma mulher para o conselho ou um executivo do tipo Eric Schmidt”, disse Brian Solis, analista da firma de pesquisa de tecnologia Altimeter Group, em referência ao ex-CEO do Google Inc. trazido para assessorar os fundadores Larry Page e Sergey Brin nos primeiros anos da empresa de buscas.

Trazer um executivo experiente é uma técnica de gestão muito usada no Vale do Silício. Schmidt, um executivo de software de longa data, comandou o Google enquanto esteve no cargo de CEO entre 2001 e 2011 antes de devolver as rédeas a Page. O Facebook Inc. contratou Sheryl Sandberg, uma experimentada executiva da internet, como diretora de operações para ajudar o fundador e CEO da rede social, Mark Zuckerberg, em 2008.

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Gestão jovem

Outras startups que não recorreram a executivos experientes tiveram problemas. O Groupon Inc., site de compras coletivas antes comandado pelo CEO Andrew Mason, recusou uma oferta de aquisição de US$ 6 bilhões do Google em 2010 e abriu capital em 2011 — apenas para ver suas ações caírem mais de 60 por cento após uma série de equívocos –. Mason foi demitido no ano passado e substituído por alguém mais velho, o cofundador Eric Lefkofsky.

Um representante do Uber preferiu não comentar e fez referência aos 14 tuítes que Kalanick publicou ontem, nos quais tentou afastar a empresa da controvérsia, classificando a situação como “terrível” e dizendo que ele e seus executivos podiam aprender com seus erros.

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Os investidores do Uber, que injetaram mais de US$ 1 bilhão na empresa, defenderam sua gestão.

“Eu não acredito que a direção do Uber precise ser substituída”, disse Shawn Carolan, sócio da Menlo Ventures, empresa que investiu no Uber e na qual trabalha como observador do conselho. “As pessoas não avaliam como é estressante crescer a essa velocidade; é simplesmente uma loucura. Eles não estão dormindo e, realmente, estão cometendo erros, mas em geral são muito éticos e trabalham bastante”.

Muitos equívocos

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Contudo, os tropeços do Uber nesta semana são parte de um padrão de equívocos. Em entrevista publicada na edição de março da GQ, Kalanick se referiu à empresa como “Boob-er” (trocadilho com “boob”, gíria para “seios” em inglês, e o nome da empresa), sugerindo que comandar o Uber o havia ajudado a conhecer garotas. Ele admitiu também em uma reportagem recente da Vanity Fair que tentou interferir nos esforços da rival Lyft Inc. para conseguir fundos entre os investidores.

A controvérsia surge em um momento delicado para o Uber. A empresa está em negociações iniciais para levantar US$ 1 bilhão em uma avaliação mais alta do que a de US$ 17 bilhões atingida em junho, quando acumulou US$ 1,2 bilhão de investidores, incluindo a Fidelity Investments. O Uber está se expandindo rapidamente e hoje está presente em mais de 220 cidades pelo mundo.

O Uber e seus investidores precisam enviar uma mensagem ao público e corrigir sua cultura, disse Paolo Parigi, professor-assistente de Sociologia da Universidade de Stanford que realiza pesquisas sobre a chamada economia de compartilhamento, possibilitada por aplicativos como o Uber.

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“Cada empresa tem uma cultura e a minha impressão é que a cultura do Uber é percebida como sexista e confiante”, disse Parigi. “Independentemente de isso ser certo ou não, essa percepção pode prejudicá-los economicamente a longo prazo. Trazer alguém como Sheryl Sandberg para o conselho ou para um alto cargo de gestão pode ser uma iniciativa bem-sucedida para corrigir esse problema”.