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SÃO PAULO – O ano de 2007 começou com notícias de atrasos de vôos e overbooking. Na véspera da Páscoa ainda eram sentidos os reflexos da situação dos aeroportos brasileiros: dados divulgados pela Infraero mostravam que da meia-noite às 16h10 de 05 de abril, 9% dos vôos estavam atrasados. No mês de julho, o acidente com o avião da TAM, em São Paulo, deixou ainda mais clara a deficiência na malha aérea brasileira.
Mas parece que os problemas na aviação não afetaram o setor turístico. Nos onze primeiros meses do ano, os turistas brasileiros deixaram US$ 7,429 bilhões no exterior, o que representa 41,5% a mais do que no mesmo período de 2006 (US$ 5,250 bilhões). De janeiro a novembro, os turistas estrangeiros gastaram US$ 4,484 bilhões no Brasil, aumento de 14,5% frente aos US$ 3,916 bilhões gastos nos onze primeiros meses de 2006.
Dados da Embratur mostraram que os desembarques subiram 11,77% na comparação com 2006. “É a primeira vez, desde a crise da Varig, que teve início em julho do ano passado, que os números superam os observados anteriormente às dificuldades enfrentadas pela companhia aérea”, disse o diretor de estudos e pesquisas da Embratur, José Francisco de Salles Lopes. De acordo com ele, entre 6,450 milhões e 6,5 milhões de passageiros irão desembarcar de vôos internacionais no Brasil até o final do ano.
Dólar favorável
Com a moeda norte-americana atingindo patamares cada vez mais baixos frente ao real, e por conta da economia estável, o sonho da viagem internacional ficou mais próximo dos brasileiros.
De acordo com a presidente da Abav do Rio Grande do Sul, Carmen Correa Marun, a crise aérea somente afetou o setor de turismo num primeiro momento, quando os consumidores estavam assustados e a venda de pacotes caiu. “O setor cresceu em torno de 30% nas viagens internacionais este ano e 15% no mercado interno. A queda do dólar superou a crise aérea”.
Ano dos cruzeiros
O brasileiro viajou bastante este ano e, principalmente, aproveitou os cruzeiros marítimos. “A viagem é bastante parcelada e é cotada em dólar. Por isso, as viagens de navio cresceram cerca de 20% este ano”, afirmou Carmen.
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E se o brasileiro está indo para fora, os estrangeiros também estão viajando para o Brasil, e de navio: segundo a Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas (Abremar), 430 mil cruzeiristas chegarão aos portos brasileiros em 14 navios de bandeiras estrangeiras, 29% a mais que no ano passado, até abril de 2008.
Pesquisa realizada pela Fipe/USP, encomendada pela Abremar, revelou que o turista de cruzeiro está na faixa dos 41 a 50 anos, possui nível superior e renda familiar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Essas pessoas consomem em restaurantes, farmácias, lojas de artesanato e quiosques. Cerca de metade dos passageiros desembarca em destinos onde atracam os transatlânticos. Geralmente ficam em terra por período entre 9 e 17 horas, tempo para curtir, visitar praias e locais atrativos.
Viaja Mais Melhor Idade
Ainda segundo Carmen, o conceito de viagem está mudando entre os brasileiros. Se, no passado, o turismo era visto como algo supérfluo, para muitos já se tornou necessário, para ter cultura, lazer e educação. Neste contexto, quem aproveita são as pessoas da “melhor idade”. “A terceira idade está viajando mais. As pessoas se aposentam com saúde e não existe mais aquela idéia do idoso que fica em casa cuidando dos netos”.
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O programa “Viaja Mais Melhor Idade”, lançado pelo governo, foi um marco para a inclusão dos aposentados e pensionistas no turismo. Visando estimular a compra de pacotes pela parcela da população acima de 60 anos, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, lançou medidas que incluiam a possibilidade de compra por crédito consignado com juros menores que 1% ao mês.
Os aposentados residentes no estado de São Paulo e no Distrito Federal foram os primeiros a comprarem pacotes pelo programa. A partir de março de 2008 os estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia e Amazonas também entrarão no programa.
Segundo balanço divulgado pela ministra, o programa ultrapassou em 30% a meta estabelecida para a primeira fase, atingindo o total de 9 mil pacotes vendidos e proporcionando um faturamento de R$ 7,65 milhões para o mercado de turismo no Brasil.
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O preço médio das viagens, durante a primeira etapa, ficou em R$ 850, incluindo passagens aéreas e rodoviárias, hospedagem, passeios, deslocamentos e seguro-viagem.
2008 de crescimento
Ainda no final de 2007, na época de Natal e de intenso trânsito aéreo, foram notados atrasos e cancelamentos. Os aeroportos do país registraram 225 vôos cancelados até as 17h de 25 de dezembro. Isso equivale a 18% dos 1.306 programados, segundo a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero). Diante desses dados, fica a dúvida sobre como será o ano de 2008 para quem pretende viajar de avião e, principalmente, para o turismo.
Questionada sobre a crise aérea, a presidente da Abav disse que o governo é responsável e deve negociar com os controladores de vôo. Mesmo sem espaço na mídia, Carmen afirmou que esse problema ainda não foi solucionado e que é tarefa do governo preservar a segurança nacional. “Para 2008, creio que o turismo deverá manter o crescimento”.
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A mesma idéia é compartilhada pelo diretor da Embratur, que vê de maneira positiva o próximo ano. Para 2007, ele prevê 6,367 milhões de desembarques, superior a 2006. “Há uma tendência concreta de recuperação e estimamos que o número de passageiros seja expressivamente maior. Diante dos dados, temos inclusive uma expectativa bastante favorável para 2008”.