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SÃO PAULO – Barulho, poluição, estresse, atraso nos compromissos. Estes são apenas alguns problemas causados pelos congestionamentos nas grandes cidades do Brasil. Quem não tem o privilégio de trabalhar ou estudar perto de casa, passa diversas horas todos os dias parado no trânsito. Trata-se de uma situação grave, que tende a piorar ao longo do tempo. O número de automóveis novos que saem das concessionárias continua alto, enquanto é pequeno o investimento em transporte público pelo Estado.
Para contornar esta situação, alguns brasileiros usam a criatividade e lançam mão de artifícios inusitados para fugir do trânsito e melhorar sua qualidade de vida. Alguns mudam a rotina, trocam de endereço, adquirem uma motocicleta, começam a usar o transporte coletivo, ou, para quem pode fazer extravagâncias, alugam um helicóptero para escapar dos congestionamentos.
Alteração na rotina
Cansada de passar horas dentro do carro, a analista financeira Juliana Franco matriculou-se numa academia ao lado do trabalho. “Quando termina o expediente, o trânsito está impossível. Depois que entrei na academia, minha vida mudou. Fugi dos horários de pico e circulo por São Paulo depois da 20h30 da noite”, explica. Como a academia fica a uma quadra do banco onde trabalha, Juliana deixa o carro no estacionamento e não se preocupa com isso até a hora de ir para casa.
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O advogado Carlos Mendonça, por sua vez, trocou de casa durante a semana para enfrentar o trânsito carioca. De segunda a sexta-feira, passa as noites no apartamento da família em Copacabana, a 20 minutos de seu escritório no centro da cidade. Durante os fins-de-semana, o advogado volta para a tranqüilidade de sua casa no Joá. “Cansei de atravessar a zona sul inteira para chegar ao trabalho. Hoje em dia, não me estresso mais e sobra tempo para aproveitar o dia.
Meios de transporte
Morador da Avenida Paulista, o designer Jonas Monteiro aproveita os corredores de ônibus e o metrô para se descolar pela cidade. “Deixo meu carro na garagem e uso somente nos finais-de-semana. Vou ao escritório de ônibus e demoro 10 minutos no corredor da Avenida Nove de Julho. Quando preciso visitar algum cliente, vou de táxi ou de metrô. Desse jeito, economizo com gasolina, estacionamento e desgaste do meu carro”, comenta.
A estudante Bruna Silva se desloca ao trabalho e à faculdade de ônibus. “Pensei em financiar um carro, mas no ônibus consigo ler, estudar e ouvir música. O trânsito pode estar horrível, mas sempre tenho alguma coisa para fazer dentro do ônibus”, completa a estudante.
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Outra alternativa para quem procura fugir do trânsito são as motos. Apesar de perigoso, a procura por esse tipo de transporte é cada vez maior. Mais ágeis, os motoqueiros percorrem a cidade em poucos minutos e não enfrentam congestionamentos. No entanto, se você está pensando em comprar uma motocicleta, é recomendável que seus trajetos sejam curtos e que as grandes avenidas movimentadas sejam evitadas.
Essa foi a solução encontrada pela terapeuta Carla Reis. “Conseguia atender um cliente a cada duas horas. Depois que comprei minha primeira moto, uma de 50 cilindradas, passei a atender um a cada hora. Meu faturamento dobrou. Hoje tenho uma de 350 cc e me sinto mais segura. Fico mais tranqüila com os buracos de São Paulo e os carros me respeitam mais”, explica Carla.
Uma outra opção para contornar o problema do trânsito são os helicópteros. Vedetes dos céus de São Paulo e Rio de Janeiro, as aeronaves são utilizadas por altos executivos e artistas, que não podem perder um minuto sequer parados no trânsito. O trajeto de Alphaville à região da Berrini, na zona sul de São Paulo, que em horários de pico chega a demorar duas horas, pode ser feito em 15 minutos, no máximo.
Tal mordomia tem seu preço. O valor do aluguel do helicóptero por uma hora é de R$ 1.200 – para um passageiro. Para calcular o preço do trajeto, é preciso incluir o deslocamento da aeronave do Campo de Marte até o passageiro, e seu retorno até a base. Além disso, os helipontos cobram uma taxa de pouso, que varia entre R$ 200 e R$ 250.