Tendência é que trânsito nas grandes cidades piore, diz Ipea

"Se já há grandes gargalos de mobilidade nos principais centros urbanos do País, a tendência é piorar com o avanço da motorização", diz o instituto

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SÃO PAULO – As grandes cidades brasileiras já sofrem no dia a dia com os congestionamentos, provocados pelo excesso de veículos nas ruas e, de acordo com o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a tendência é que isso piore.

“Se já há grandes gargalos de mobilidade nos principais centros urbanos do País, a tendência é piorar, com o avanço da motorização na sociedade brasileira”, diz o instituto, no comunicado “Poluição Veicular Atmosférica”, divulgado nesta quinta-feira (22), Dia Mundial Sem Carro.

Segundo o instituto, este aumento do número de carros nas ruas virá como consequência do estímulo às vendas de veículos, além de medidas que beneficiam o uso de veículos particulares como, por exemplo, o barateamento da gasolina frente ao diesel – utilizado pelo transporte público urbano.

O Ipea também aponta que os investimentos em infraestrutura viária, que priorizam a fluidez de tráfego, incentivam o aumento do fluxo de veículos. “Dessa forma, o uso de carros e motos pela população torna-se cada vez mais barato em relação ao custo de se utilizar o transporte público, aumentando a demanda sobre o sistema viário e criando-se condições para que as cidades se espraiem”, diz o instituto.

Crescimento da frota
Enquanto a frota de automóveis cresceu 7% ao ano e a de motocicletas, 15%, o transporte público perdeu, em geral, cerca de 30% da sua demanda no período.

“Do ponto de vista da eficiência energética e ambiental, é uma tendência bastante preocupante”, diz o instituto.

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Apesar do trânsito, ainda há poucos veículos
De acordo com o comunicado, apesar do crescimento da frota e dos constantes congestionamentos nas grandes cidades, apenas metade dos domicílios brasileiros possui carro, o que indica que ainda há espaço para crescimento da taxa de motorização no País, “principalmente nos estados mais pobres, onde a posse de veículos particulares ainda é pequena”.

O instituto ressalta que existe uma grande diferença nas taxas de motorização entre o Brasil e os países desenvolvidos. No Brasil, segundo dados de 2009, existem 15 carros para cada 100 habitantes.

Já nos Estados Unidos, por exemplo, são 83 carros para cada 100 pessoas, mais de cinco vezes a taxa brasileira.

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Outros países desenvolvidos, como Itália e Austrália, com 67 veículos para cada 100 habitantes, Canadá (63 veículos para cada 100 habitantes) e Espanha (59 veículos para cada 100 habitantes), também estão bem à frente do Brasil.

“Mesmo em países como Argentina, México e Coreia do Sul a taxa é maior (22,28 e 36 veículos por 100 habitantes, respectivamente)”, diz o Ipea.


Coordenador de conteúdo educacional do InfoMoney, ganhou 3 vezes o prêmio de jornalismo da Abecip