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SÃO PAULO – A notícia não chega a surpreender, especialmente entre as famílias que têm crianças, pessoas de idade, ou alguém que sofra de alguma doença crônica, mas em estudo do Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos (Idum) foi constatado que o preço dos remédios subiu mais do que a inflação. A pesquisa acompanhou a evolução dos preços de seis mil medicamentos no período entre julho de 1994 e abril deste ano.
Remédios mais usados subiram 7% a mais que inflação
A pesquisa concentrou-se na evolução dos preços de cerca trezentos medicamentos, exatamente os que são mais consumidos pela população, respondendo por 85% do consumo total. No período em questão, foi possível constatar um aumento de quase 133%, sendo que em alguns casos este reajuste foi de 366,37%. Contudo, neste mesmo período, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado foi de 117,31%. Isto significa um aumento médio de mais de 7% acima da inflação.
Um dos casos extremos foi constatado em um medicamento que a maioria das famílias com crianças pequenas usa: o Melhoral Infantil. Este medicamento passou de R$ 4,49 em julho de 1994 para R$ 20,94 em abril deste ano, um aumento de 366%, ou 115% acima da inflação medida pelo INPC. Da mesma forma, o Rivotril, um anticonvulsivante do laboratório Roche, aumentou 363,47%, seguido do antidepressivo Dormonid, que subiu 228,30%.
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Genéricos ajudam, mas ainda não resolvem o problema
Não há dúvida de que a introdução dos remédios genéricos em 1999 ajudou no controle da alta do preço dos medicamentos, visto que, pela legislação, devem ser pelo menos 40% mais barato que os remédios de referência. Contudo, como sua abrangência ainda é limitada, muitos consumidores ainda não encontram remédios genéricos para o tratamento de suas doenças, o que acaba forçando-os a comprar os medicamentos de marca mais caros.
A expectativa é que esta tendência mude com a entrada no país de novos fabricantes de genéricos e com a iniciativa da Anvisa de dar preferência para a aprovação de genéricos que ainda não contam com competição no mercado, de forma a atender um número maior de consumidores. Enquanto isto não acontece, resta ao consumidor pesquisar e tentar buscar descontos.