Sono atinge motoristas de ônibus durante o trabalho

A sonolência está ligada à diminuição da atenção e ao aumento do risco de acidentes, segundo pesquisa realizada pela Unifesp

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SÃO PAULO – Cerca de metade dos motoristas de ônibus apresenta sonolência excessiva durante o horário de trabalho, segundo pesquisa realizada pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) com uma empresa que faz transporte interestadual de passageiros.

“Apesar do número de motoristas avaliados não ser tão grande, esse já é o maior estudo na área, até no exterior”, avalia Marco Túlio de Mello, do Departamento de Psicobiologia da Unifesp.

Sono x volante

A sonolência está ligada à diminuição da atenção e ao aumento do risco de acidentes.

Para explicar a sonolência, os autores do estudo levantaram as seguintes hipóteses: os motoristas têm carga de trabalho excessiva, dormem menos que o necessário ou têm distúrbios que pioram a qualidade do sono.

Resultados

Após uma série de etapas, pôde ser constatado que o período que os motoristas passaram acordados durante o sono variou de 42 minutos para 79 minutos, em média.

E o tempo que os motoristas demoraram a adormecer depois de uma noite de sono diminuiu de 17 minutos para quatro minutos, em média, o que significa que eles dormiam menos que o necessário ou o sono não era restaurador.

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“Apesar de levantarmos dados preocupantes, é importante ressaltar que, a partir dos relatórios, a empresa está providenciando tratamento para os motoristas e tentando alterar o esquema de trabalho”, afirma Eduardo Santos, um dos autores do estudo.

Uma das medidas adotadas foi a redução do tempo de trabalho contínuo do motorista, de seis horas para quatro horas.

Por dentro da lei

O Contran (Conselho Nacional de Trânsito) publicou a Resolução nº 267, que estabelece a exigência da avaliação de distúrbios do sono para os candidatos que forem realizar adição, renovação e mudança para as categorias C, D e E da CNH.

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Segundo a Resolução, os candidatos deverão ser avaliados quanto à Síndrome de Apnéia Obstrutiva do Sono. Além disso, serão verificados: hipertensão arterial e classificação de Malampatti e outros pontos que revelam a sonolência excessiva que são medidos de acordo com a Escala de Sonolência de Epworth.

Os exames de avaliação relativos ao distúrbio do sono serão realizados juntamente como os demais exames de aptidão física e mental.

Portanto, a partir de agora, os condutores ou candidatos à carteira de habilitação de todas as categorias terão de fazer avaliações cardiológicas, neurológicas, oftalmológicas e auditiva.