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SÃO PAULO – Qualquer pessoa que vá viajar internacionalmente precisa realizar ao menos uma troca de moedas, normalmente em casas de câmbio. E, tradicionalmente, isso significa passar horas e horas pesquisando as cotações mais vantajosas – ou correr o risco de perder dinheiro trocando na primeira que aparecesse.
Ao mesmo tempo, as casas de câmbio em si podem sair prejudicadas quando não conseguem barganhar com este mesmo consumidor e mostrar suas ofertas amplamente.
“Eu sabia que existiam diferenças entre cotações de casas de câmbio, mas simplesmente não encontrava o tempo para ficar fazendo cotações e ligando de casa em casa [de câmbio]”, diz Stéfano Assis, CEO do MelhorCambio.com, criado justamente com o intuito de ajudar os viajantes a resolverem este problema. “Fiquei indignado: por que tanto trabalho para resolver uma tarefa tão simples?”
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Segundo ele, até 2015 realmente não havia uma plataforma automática de realizar cotações em casas de câmbio. E foi aí que resolveu, em conjunto com o amigo Felipe Tayer, criar a startup. “Já tínhamos experiência com empreendedorismo e somos perfis complementares – o Felipe é mais técnico e eu tenho um perfil mais voltado à área comercial, apesar de ambos termos formação em engenharia”, conta o CEO. A primeira versão do site foi ao ar em maio de 2015, e desde então muitas mudanças foram feitas.
“A primeira versão era bem manual: recebíamos a solicitação de cotação por e-mail e fazíamos o papel que o usuário teria: cotar manualmente nas casas de câmbio”. Deu trabalho, mas deu certo – Stéfano e Felipe perceberam que havia demanda para a ideia e começaram a investir de vez nela. “Foi nesse momento que chamamos os outros três sócios e criamos a plataforma que existe hoje, toda automatizada, e que até então realizava o serviço de cotação simples da maneira como pensamos inicialmente”. Mas esse formato ainda não era o ideal.
O problema
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Claro, mostrar uma lista com as cotações de todas as casas de câmbio de uma região, da mais vantajosa para a mais cara, resolve a vida do consumidor. Mas e os estabelecimentos? “Nosso cliente, quem traz o dinheiro para o negócio, são as casas de câmbio. Com o tempo elas passariam a perceber que, ficando abaixo das cotações mais baratas na busca, elas estariam perdendo clientes – o modelo de simplesmente mostrar as mais baratas era desvantajoso para elas”, explica Stéfano.
Eles se viram em uma posição delicada. “Nossos concorrentes, que foram lançados exatamente no mesmo período que nós, usam o esquema tradicional com anúncios. As próprias casas de câmbio anunciam. Mas nós resolvemos testar algo diferente”, relembra o empreendedor, que hoje tem certeza que seu modelo é o melhor que já testou.
A solução
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Os empreendedores então resolveram aplicar um sistema de barganha: o usuário que quer comprar moedas preenche, no site, quanto quer pagar. A oferta é recebida por todas as casas de câmbio cadastradas, que aceitam ou não fechar o negócio. Desta maneira, o usuário continua tendo acesso ao menor preço possível e a casa de câmbio não sai prejudicada.
A monetização é feita sobre uma porcentagem dos negócios que são finalizados. “Já estamos com mais de 30 corretoras com contrato assinado, e em negociação com mais 30”, conta Stéfano.
Expansão
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Há planos de expandir para outros países, por enquanto na América Latina. “Já vinhamos conversando com pessoas na Argentina e no Paraguai, e também estamos de olho no Chile. Sabemos que é uma solução internacional e vale em qualquer parte do mundo, por isso queremos crescer”, diz o CEO.
O site já realizou 500 mil cotações, e tem a meta de chegar a um milhão nos próximos dois meses. Ele disponibiliza um cálculo de quanto já ajudou os usuários a economizar: “No momento em que uma cotação é realizada, o sistema soma o preço mínimo e o máximo, o que varia entre 7 e 15%. Sabemos que a oferta não é necessariamente aceita pela corretora, então só fazemos o calculo em cima das ofertas que foram concretizadas”. A economia total está próxima dos R$5 milhões.