Sindicatos e empresários discutem regulação da atividade de motorista

A regra envolve segurança para os profissionais, redução da tarifa do transporte público e jornadas de trabalho diferenciadas

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SÃO PAULO – Na última segunda-feira (13), foi realizada a audiência pública para discussão do Projeto de Lei n° 271/08, de autoria do senador Paulo Paim (PT-RS), que visa instituir o Estatuto do Motorista Profissional.

Participaram da audiência representantes sindicais e empresários, que apresentaram sugestões e críticas, as quais serão encaminhadas ao relator da proposta, o senador José Nery (PSOL-PA).

De acordo com o autor do projeto e também presidente da CDH (Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa), a regulamentação da profissão de motorista deve ser feita levando-se em consideração as peculiaridades de todos os setores da atividade de transporte.

Diferentes jornadas

Seguindo essa mesma linha, os representantes sindicais defenderam jornada de trabalho diferenciada para os motoristas, de acordo com o segmento de transporte em que trabalham.

“Há diferenciação entre a atividade exercida pelos motoristas de táxi, de ônibus e de caminhão”, ressaltou o representante da Nova Central Sindical, Luís Antônio Festino, segundo a Agência Senado.

“Mesmo entre os caminhoneiros, há diferenças entre os que fazem fretes locais, os que trabalham em percursos curtos e os que transportam cargas para outros países”, exemplifica.

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Tarifas do transporte público

Outro destaque da audiência foi a questão tarifária. O gerente técnico da NTU (Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos), Carlos Henrique Ribeiro de Carvalho, enfatizou que a legislação para o setor deve contemplar medidas para a redução das tarifas do transporte público.

Ele informou que os custos do setor são inteiramente arcados pelos usuários dos transportes, o que gera uma tarifa mais cara e uma perda de 35% do mercado de passageiros.

Segundo dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), 37 milhões de brasileiros não têm condições de pagar o preço das passagens de ônibus urbano.

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Opção pela malha rodoviária

Para o presidente do MUB (Movimento União Brasil Caminhoneiro), Nélio Botelho, o setor do transporte rodoviário está abandonado, o que leva a uma desorganização e clandestinidade. E defendeu que a regulamentação das atividades valorizaria esses trabalhadores.

A maior atenção ao setor dos transportes rodoviários também foi destacada por outros que compareceram à audiência.

O coordenador do Fórum sindical dos Trabalhadores, José Augusto da Silva Filho, sugere a adoção de medidas de segurança no trabalho do motorista, como, por exemplo, em relação ao fato de muitos desses profissionais tomarem medicamentos antes de dirigir.

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Período de transição

Para o presidente da ABTI (Associação Brasileira de Transportes Internacionais), Luiz Alberto Mincaroni, a regulamentação deve ser feita, mas com um período de transição entre a edição da norma regulamentadora e a exigência legal.

O representante da ANTC (Associação Nacional de Transportes de Cargas e Logística), Marcos Aurélio Ribeiro, ainda destacou a necessidade de compatibilizar a realidade do transporte brasileiro com a legislação que regulamente o setor. Ele defendeu o combate às irregularidades, mas “sem parar o Brasil”.