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SÃO PAULO – O Plano Real, que surgiu há 14 anos, cumpriu com sua missão, de dar um fim à inflação e, de quebra, mudou o modo de pensar da população brasileira. “Com a pressão inflacionária, as pessoas ficavam preocupadas em gastar tudo antes dos preços subirem, o que as levava a fazer estoque. Elas temiam a desvalorização do seu dinheiro. A partir do momento em que houve uma estabilização da economia, a população passou a fazer planejamentos de longo prazo”, de acordo com o professor de Economia da Trevisan Escola de Negócios, Pedro Vartanian.
Hoje, segundo ele, o brasileiro consegue obter financiamentos, planejar as compras, investir e poupar. “Agora, é possível até fazer comparação dos preços. Antigamente, não dava, porque quando você voltava à loja, o preço já tinha mudado”, conta.
Além disso, a população passou a ter acesso a uma diversidade mais rica de produtos, com preços diferenciados, graças ao grau maior de abertura da economia brasileira. Por esse mesmo motivo, houve aumento nas exportações das empresas, que acarretou crescimento no emprego e da renda nos dois primeiros anos do Plano Real.
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Mudança no mercado acionário
Para Vartanian, houve uma mudança muito profunda e importante também no mercado acionário. “Com a estabilidade econômica e a ampliação ao acesso do mercado de capitais, graças à Bolsa, as pessoas passaram a ter oportunidade de investir”, garante.
“Antigamente, a única possibilidade de investimento era a caderneta de poupança. Dava para investir, sim, na Bolsa, mas apenas grandes quantias. Além disso, com uma economia estável, é mais fácil compreender o mercado de capitais”, acrescenta. Isso significa que as chances de o investidor ter prejuízo são hoje menores.
O professor da Trevisan lembra ainda que o grau de investimento foi apenas uma confirmação de que o Brasil está na direção certa. “Em 2020, é possível que estejamos em um patamar bem próximo ao dos países desenvolvidos”.
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Fim da inflação beneficia solução de outros problemas
De acordo com o professor de Economia da FEA/USP, Fábio Kanczuk, do começo da década de 80 até o advento do Plano Real, só se falava em inflação. Era a principal preocupação do governo e da mídia. “A diminuição da inflação, que foi realizada via câmbio, foi muito importante”.
Graças ao fim da hiperinflação, o governo desviou sua atenção a outras questões importantes, segundo Kanczuk, o que implica um ganho para a população. Vartanian concorda: “Não dá para tratar de questões importantes em meio a um ambiente inflacionário, o que é compreensível, pois primeiro é necessário tratar dos aspectos mais urgentes. Depois do Plano Real, começaram a ser discutidos problemas como controle de gastos e melhora da distribuição de renda”.