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SÃO PAULO – O consumidor tem baixa sensibilidade à taxa Selic. A afirmação é da Fecomercio (Federação do Comércio do Estado de São Paulo), baseada nos seguintes dados: em 2005, houve a maior expansão do consumo das famílias (11,5% em relação a 2004), apesar de, neste ano, o Banco Central ter realizado altas sistemáticas na taxa Selic.
A federação afirma ainda que, entre 2006 e 2007, prevaleceu o ciclo de quedas sucessivas na taxa básica de juro e o aumento do consumo se manteve, com índices de expansão expressivos, mas abaixo da taxa registrada em 2005. Em todos esses anos, a inflação, independentemente do crescimento do consumo e da tendência da Selic, se manteve dentro das metas estabelecidas.
Assim, o presidente da Fecomercio, Abram Szajman, classifica como inconsistentes os argumentos que estão sendo divulgados pela autoridade monetária para justificar um aumento da taxa Selic na próxima reunião do Copom. “Não há excesso de demanda. O que há é uma recomposição gradual do consumo, após décadas de retração causada exatamente pelo arrocho monetário. Esta recomposição está centrada na oferta de crédito e nos programas intensivos de transferência de renda, sem gerar qualquer pressão de preços que justifique uma elevação dos juros”, afirma o presidente.
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Consequências
Em comunicado à imprensa, a entidade afirma que o aumento da taxa trará conseqüências negativas para o País e não terá utilidade no controle da inflação. “Ao invés de elevar a taxa de juros, o governo deveria é cortar os seus gastos, que representam o principal obstáculo ao crescimento sustentado da economia. Este ano a previsão é de que o gasto aumente 10,5%, mais que o dobro do crescimento de 4,8% estimado para 2008”, acrescenta Szajman.
A Federação afirma ainda que o aumento será prejudicial, porque trará a valorização do Real, estimulando as importações e, conseqüentemente, prejudicará a indústria nacional. Além disso, haverá aumento da dívida pública, redução do investimento público e na geração de emprego e renda, com elevação do risco de inadimplência.
“Será um retrocesso brutal que pode abortar a redução na desigualdade da distribuição da renda, que vinha se verificando, frustrando as esperanças de milhões de brasileiros”, adverte Szajman.
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Preços
A entidade também chama a atenção para a diferença entre o desempenho das grandes redes e o do pequeno comércio, captada por suas pesquisas. Enquanto em 2007 a PCCV (Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista) mostrou um crescimento do comércio de 4,4%, a PCPV (Pesquisa Conjuntural do Pequeno Varejo) apontou uma queda de 1,2%. Esse comportamento vem se repetindo em 2008.
“O maior movimento de demanda ocorre pelas grandes redes varejistas, que possuem maior poder de barganha de preços junto aos fornecedores e maior capacidade de financiamento próprio. Esse importante detalhe, que não está sendo levado em conta, ajuda a conter os preços para o consumidor, tornando ainda mais absurda e injustificável esta ameaça de aumento da taxa Selic”, conclui Szajman.