Saques ao FGTS batem recorde e somam R$ 36,6 bilhões em 2007

Dessa forma, tomando como base 2006, o saldo líquido do fundo teve queda de quase 30%. Movimento é tido como normal

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SÃO PAULO – Nunca trabalhadores sacaram tanto de suas contas pessoais no FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Conforme dados da Caixa Econômica Federal, foram R$ 36,6 bilhões no acumulado do ano, o que resultou em uma sobra de caixa na ordem de R$ 4,86 bilhões. Ao se analisar que, em 2006, o saldo era de R$ 6,82 bilhões, verificou-se uma queda de aproximadamente 30%.

“Neste ano houve um fator que estimulou muito o saque: a decisão do STF [Supremo Tribunal Federal] em permitir que a pessoa não perdesse o vínculo empregatício com a empresa depois que se aposentasse”, contextualizou o superintendente nacional do fundo, Joaquim Lima.

Adiamento do processo

Dessa forma, muitos trabalhadores em vias de dar entrada no INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) apressaram o processo, tiveram o direito de receber o dinheiro acumulado no FGTS e, ainda por cima, puderam sacar os 8% que continuaram a receber, mensalmente, das empresas que os mantiveram como funcionários.

Com isso, em abril – mês em que foi feita a decisão – foram retirados do fundo R$ 1 bilhão, um aumento de quase três vezes, levando em consideração os R$ 350 milhões que eram retirados normalmente. “Depois disso o comportamento foi se normalizando, e hoje está estabilizado em R$ 500 milhões”, explicou.

Uma vez que os ânimos já estão acalmados, não há expectativa de que movimento semelhante ocorra no ano que vem. E o comportamento verificado neste ano é tido como normal para os moldes atuais da economia. “A arrecadação também foi alta, por conta do aumento no nível de emprego. Mas de forma nenhuma esse resultado é preocupante”, disse Lima.

Compra da casa

E o superintendente nacional do fundo lembrou ainda que o aquecimento do mercado imobiliário, com maior utilização dos recursos do FGTS, também estimulou o movimento.

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Segundo a CEF, os saques cresceram na ordem de 19%, em novembro, na comparação com a média mensal de contratação entre janeiro e outubro. Traduzindo para quantidade de operações, o número representa cerca de 16.800 mil contratos que atendem, principalmente, famílias de baixa renda.

“Mesmo assim, não há qualquer possibilidade do saldo do fundo ficar negativo”, finalizou Lima.