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SÃO PAULO – As roupas estão perdendo espaço na sacola de compras. De acordo com dados do Instituto de Pesquisa de Economia Aplicada (Ipea), em 1988 os brasileiros gastavam 11,29% do orçamento em vestuário, em 2003, este número caiu para 5,06%.
Para Emilio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo, o principal motivo desta queda é que atualmente as pessoas gastam mais em outras coisas. “Eu percebo que a quantidade de gastos do brasileiro aumentou. Hoje ele precisa pagar conta de água, luz, telefone, TV a cabo, internet e acaba gastando menos com o vestuário”.
Celular: o vilão
Alfieri diz ainda que, para ele, o consumidor está economizando mais em bens essenciais, como alimentação, saúde e vestuário, para gastar mais com bens duráveis e serviços. “Eu percebo que hoje o celular é o maior inimigo das roupas, porque atualmente as pessoas gastam muito na compra do aparelho e, mais ainda, com a conta do telefone”, afirma.
Para Sylvio Mandel, presidente da Associação Brasileira de Varejo Têxtil, o celular realmente desviou o foco das compras. “As pessoas hoje trocam de celular como trocavam de suéter antigamente. Atualmente não basta ter um, é preciso sempre trocá-lo por aparelhos mais modernos e com melhor tecnologia”.
Temperaturas
O aquecimento global também é um forte inimigo da venda de roupas. “Eu percebo que não faz mais frio em São Paulo, por exemplo, como fazia há 10 anos. Hoje, mesmo quando faz frio, não tem toda aquela garoa que tinha antes, e as pessoas compram muito mais roupas quando o tempo está fechado”, garante Alfieri.
Para Mandel, por mais que em alguns meses a venda de roupas caia, isso não representa uma tendência. “O que acontece é que a venda de roupa depende muito do tempo e, no inverno, por exemplo, as vendas sobem. E esse ano o frio ainda não chegou. Mas assim que as temperaturas caírem tenho certeza que as vendas aumentarão”.
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Alfiere e Mandel afirmam, ainda, que não há motivo para que o setor têxtil e o varejo fiquem alarmados.
“Todos precisam se vestir. E mais cedo ou mais tarde os consumidores voltam a comprar roupa. É apenas uma questão de tempo”, explicou o economista a ACSP.
“Por mais que hoje existam mil maneiras de se gastar dinheiro, as roupas continuam sendo essenciais. Basta mudar a temperatura para o brasileiro correr para o shopping”, garante Mandel.
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