Revista feminina cria carro “para mulheres” e gera polêmica

Desenvolvimento do veículo levou 18 meses e usou como base pesquisas e testes

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SÃO PAULO – A revista feminina Cosmopolitan e a montadora SEAT desenvolveram conjuntamente um carro “voltado ao público feminino” – o SEAT Mii by Cosmopolitan. O lançamento se deu no dia 15 de setembro e, desde então, vem sendo bombardeado de críticas.

Com previsão de estar nas lojas no início de 2017, o veículo terá opções de três ou cinco portas, nas cores roxo ou “candy white”. As leitoras da revista, uma das mais lidas do segmento, participaram de todo o processo de pesquisa de mercado e fabricação, de acordo com as empresas.

Nas especificações, sistema anti-derrapante, conectividade no painel, volante colorido e detalhes na cor champagne para dar um toque “mais feminino”. Toda a descrição do carro no site leva para este lado do “estilo”, aliás. 

A reação de mulheres na internet não foi positiva. Muitas ficaram ofendidas com a padronização que a ideia gera em torno de como deveriam ser o estilo e o dia a dia de uma mulher, desde a blogueira Phoebe-Jane Boyd, do The Guardian, até muitas usuárias do Twitter.

Para as críticas, a concepção do veículo parte do pressuposto que todas as mulheres querem as mesmas coisas, e alguns dos detalhes, como a própria cor, enfatizam estereótipos. O tratamento como um “item de moda” e não um meio de transporte também incomodou.

Especificações erradas?

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Um levantamento demonstrou que boa parte das pesquisas realizadas para o desenvolvimento de carros – e outros itens usados por homens e mulheres – são feitas majoritariamente ou, muitas vezes, exclusivamente, com homens. Cintos de segurança, por exemplo, são menos seguros para mulheres, que têm 47% mais chances de se machucarem em acidentes de trânsito do que homens.

Isso porque os testes das montadoras são feitos com bonecos que se assemelham, em tamanho, à média dos homens, algo que começou a mudar em 2011. Naquele ano, os primeiros testes incluindo modelos mais próximos aos corpos de mulheres foram requeridos a montadoras – apenas o primeiro passo para uma mudança nesse sentido.

Um carro “para mulheres” ideal deveria, portanto, levar esse fator em conta e ser mais seguro que a média para o seu público-alvo. Mas a Cosmopolitan e a SEAT não comentaram nada sobre mudanças em testes de segurança em sua estratégia de divulgação.

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Resposta

À mídia norte-americana e às críticas, a revista Cosmopolitan respondeu dizendo que o veículo foi criado especificamente para as suas leitoras, e não para as mulheres em geral. “É o resultado de um processo de dois anos de co-criação entre leitoras, editores e o time criativo da revista, com o propósito de desenvolver um modelo que responde a um alvo muito específico – a leitora da Cosmo – e de forma alguma as mulheres como um todo”, escreveu a companhia.


Analista de conteúdo da Rico Investimentos, ex-editora de finanças do InfoMoney