Retomada de prazos em cenário de juros altos não representa risco para crédito

De acordo com presidente da Acrefi, maior rigidez dos bancos na concessão de crédito reduz riscos

Publicidade

SÃO PAULO – A retomada de prazos longos, em um momento em que as taxas de juros ainda continuam altas, não indica um risco para o crédito no Brasil, de acordo com o presidente da Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento), Adalberto Savioli.

Ele afirmou que a maior cautela dos bancos, frente à crise, ameniza o impacto do movimento de ampliação dos prazos, frente aos juros elevados. O presidente da Acrefi falou, nesta terça-feira (24), durante evento realizado em parceria com a Serasa Experian sobre os Novos Desafios do Crédito no Brasil.

Compra de carro

De acordo com Savioli, o crédito para a compra do carro já retomou prazos longos, mas não no patamar identificado antes da crise. Ele disse que esse movimento é natural, para que as parcelas caibam no bolso do consumidor. Se, antes da crise, o prazo atingiu 72 ou até 90 meses, agora ele já está em 60 meses.

Os prazos foram retomados, mas em um momento em que a taxa de juro Selic ainda não baixou ao patamar esperado para este ano, de um dígito. Em sua última reunião, em 11 de março, o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu o indicador em 150 pontos-base, para 11,25% ao ano.

Realidade

O presidente da Acrefi ressaltou que de 30% a 40% do crédito brasileiro é destinado para a compra de carro, porém, atualmente, grande parte está direcionada para os veículos novos.

“Hoje, o mercado de grandes bancos representa 80% de todo o crédito. O restante, os 20%, são médios e pequenos, que têm um papel importante na economia, porque financiam o carro usado, que tem um nível de risco maior, por atrair um público de consumo diferente”.

Continua depois da publicidade

“Temos buscado o governo, o Banco Central, o Ministério da Fazenda, mostrando esse cenário de que a economia não é só carro zero. Não adianta fazer incentivo só para carro novo, carro usado também existe”, completou ele, dizendo que o carro usado muitas vezes serve de troca para o carro zero.