Resposta da Sony ao Apple Pay pavimenta caminho da expansão asiática

A Sony está pegando carona no transporte público para competir com a Apple

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(SÃO PAULO) – Embora a Sony Corp. esteja diminuindo suas ambições internacionais com os smartphones, a companhia ainda quer competir com a Apple Inc. e a Samsung Electronics Co. nos pagamentos móveis na Ásia. Seu método para chegar lá é o transporte público.

A Sony está tentando fazer com que sua tecnologia de pagamento sem contato, FeliCa, esteja tão presente no restante da Ásia quanto está na rede ferroviária do Japão. O sistema emprega chips que podem ser incorporados aos smartphones e cartões de plástico que cabem na carteira e a Sony quer que ele seja mais usado no Sudeste Asiático, a começar pelo sistema ferroviário da Indonésia até março.

As redes de transporte podem ser um trampolim para atrair comerciantes para o sistema FeliCa, porque uma ampla base de passageiros estimula a participação das lojas de estações de trem e terminais de ônibus, disse Kazuyuki Sakamoto, gerente-geral sênior da Sony e responsável pelas operações do FeliCa. O mercado potencial é enorme: o Sudeste Asiático precisa gastar US$ 60 bilhões anualmente em estradas, ferrovias e outras infraestruturas, de acordo com o Banco Asiático de Desenvolvimento.

“Nossa abordagem é diferente da abordagem da Apple”, disse Sakamoto em uma entrevista. “Sem situações da vida real para usar o pagamento, pouco importa a quantidade de aparelhos que você tem pelo mundo”.

Transição

“O Apple Pay e outras plataformas semelhantes estão dando os primeiros passos no exterior, mas nós oferecemos esse serviço há mais de 10 anos”, disse Sakamoto. “Comece com os passes de trem, depois avance para o comércio”.

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A empresa pretende facilitar a adoção do FeliCa. A plataforma, que iria funcionar só em um smartphone com um chip personalizado, pode ser incorporada como um software em semicondutores comuns já no próximo ano, disse Sakamoto.

A Sony, que antigamente se imaginava como uma das três principais fabricantes de smartphones, eliminou empregos e modelos para se concentrar nos componentes. Se o FeliCa deslanchar, a companhia poderia vender não apenas os chips, mas também cartões e leitores de cartões.

O desafio é unir a cadeia de pagamentos: fabricantes, companhias financeiras e comerciantes. A adoção dos pagamentos móveis foi anêmica até agora. Apple Pay, que permite que os usuários paguem no caixa com um toque do iPhone, respondeu por apenas 1 por cento das transações no varejo dos EUA um ano após o lançamento, de acordo com a empresa de pesquisa Aite Group.

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Crescimento asiático

A Ásia deve liderar a inovação em um mercado que vai dobrar para US$ 1 trilhão em todo o mundo até 2017, de acordo com a empresa de pesquisa IDC. O Japão e a Coreia do Sul são receptivos a serviços como o Apple Pay, mas quem mora em mercados emergentes prefere carteiras móveis mais parecidas com os cartões pré-pagos, disse Shiv Putcha, diretor adjunto da IDC.

FeliCa, que significa “Felicity Card” (cartão da felicidade, em tradução livre), utiliza uma tecnologia NFC semelhante à dos aparelhos iPhone e Samsung. Seus chips para cartões e telefones podem ser carregados com dinheiro para comprar qualquer coisa, de gasolina e sessões de caraoquê a leite em lojas de conveniência e refeições de fast-food. Há 890 milhões de chips em uso, mas a Sony não diz quantos estão em aparelhos móveis.

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Todos a bordo

O segredo para a adoção doméstica foi um empreendimento com a NTT Docomo Inc. e a East Japan Railway Co., o maior operador ferroviário do Japão. A Sony agora está tentando repetir esse modelo por meio de uma parceria com a PT KAI Commuter Jabodetabek, uma companhia ferroviária de Jacarta. Na quinta-feira, a Sony disse que vai se juntar à PT Telekomunikasi Indonesia, uma empresa de US$ 20 bilhões, para que a passagem de ônibus em Bandung possa ser paga com smartphones, antes de levar o FeliCa às lojas.

O Vietnã pode ser o próximo, disse Sakamoto. O FeliCa está sendo testado com uma operadora de ônibus em Hanói, pois o governo japonês distribuiu 200.000 cartões como parte de um incentivo à implementação.

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“Na Ásia, o trânsito tem um papel mais importante”, disse Mario Manabe, presidente do empreendimento da Sony. “Nos EUA, é só nas cinco principais cidades, então a perspectiva é muito diferente”.