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SÃO PAULO – No mês de setembro, o anúncio do aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para veículos importados contrariou representantes do mercado automotivo, e continua sendo um dos problemas da cadeia produtiva.
De acordo com o presidente da Abidipa (Associação Brasileira dos Importadores e Distribuidores de Produtos Automotivos), Rinaldo Siqueira Campos, reduzir os custos brasileiros seria mais eficaz do que aumentar o IPI, pois, segundo ele, medidas protecionistas oferecem uma visão míope da realidade do País. “São medidas que agem como âncoras não permitindo ao Brasil posicionar-se em busca de um futuro promissor, em busca do seu próprio desenvolvimento”, afirma.
Para Campos, medidas protecionistas aos fabricantes nacionais necessitam de análises mais profundas. “A rigor, nem as montadoras estabelecidas em nosso País podem ser consideradas empresas nacionais. São todas oriundas do mercado externo e que se instalaram aqui”, explica, afirmando que “nossa capacidade de competitividade é menosprezada a todo instante”.
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O presidente ainda explica que o governo deveria se preocupar com a reforma tributária, almejada pelo setor produtivo do país, tornando o mercado brasileiro incapaz de competir em igualdade de condições com os produtos fabricados no exterior.
Segundo Campos, outros fatores, como a logística que guarda resquícios do século passado, também inviabilizam a concorrência do produto nacional com relação aos importados. “Não privilegiamos o transporte através de ferrovias e não usamos um sistema de hidrovias. Ainda apostamos, apenas, no transporte terrestre que isola metade da área territorial do País”, afirma, explicando que a região Norte do Brasil ainda carece de desenvolvimento por conta dessa estratégia.
Para Campos, o Brasil precisa deixar procurar culpados e resolver os problemas das indústrias, a fim de permitir que elas possam crescer e competir em igualdade com as estrangeiras. “Só conseguiremos quando for possível diminuir nosso custo de produção e a burocracia em todas as esferas produtivas”, explica, questionando que “como é que o produto estrangeiro, mesmo com os custos de importação, frete, transporte, ainda consegue chegar com melhor qualidade e, muitas vezes, mais barato que os produtos fabricados no País?”, finaliza.