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SÃO PAULO – Diante da dura queda de braço entre fornecedores e varejistas em relação à política de repasse de custos em função da alta do dólar, muitos fornecedores decidiram reajustar os preços dos produtos de maior valor agregado, a fim de compensarem as perdas provocadas pelo impacto negativo da valorização da moeda norte-americana nos seus custos.
Congelados e semi-prontos
Segundo as redes de supermercados, os produtos de maior valor agregado, em especial, os pratos congelados e os semiprontos, já devem chegar aos consumidores com os preços reajustados. De acordo com a Rede Nordestão, principal varejista do Nordeste, e os Supermercados Mambo, com três lojas em São Paulo, os pratos congelados devem ficar até 15% mais caro a partir dessa semana.
A maior fabricante de alimentos congelados do país, a Sadia, não confirmou a notícia. No entanto, outras redes de supermercados, como a francesa Carrefour, também confirmaram a informação. O Carrefour comentou que a Perdigão, principal concorrente da Sadia, pediu reajuste de 11% nos produtos congelados.
Na opinião das indústrias, aqueles que consomem produtos de maior valor agregado pertencem geralmente a classes com maior aquisitivo, portanto, e mesmo diante de um aumento dos preços, não abrirão mão do padrão de vida. Exatamente por isto a estratégia é eficiente, pois com os reajustes nos produtos de maior valor agregado, as indústrias podem recuperar as suas margens sem uma perda significativa no volume de produtos vendidos.
Os produtos com maior valor agregado respondem por uma parte representativa das receitas das empresas. No caso da Perdigão, por exemplo, cerca de 74% da sua receita com vendas no mercado doméstico são provenientes de produtos congelados e elaborados.
Aumento pode pressionar inflação
Segundo estudo mensal realizado pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), em outubro a inflação ficou em 1,28%. Contudo, o preço do requeijão, considerado produto de maior valor agregado, apresentou reajuste superior a 5% no mesmo período.
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Na segunda quadrissemana de novembro, o IPC da Fipe registrou alta de 2,03%, com destaque para o item alimentação, que apresentou reajuste médio de 5,41% colaborando com 1,250 ponto percentual do índice. Essa alta dos preços dos alimentos deve continuar pressionando a inflação nas próximas semanas.
Por outro lado, as varejistas vêm se esforçando para não permitir o repasse da alta do dólar nas mercadorias, visto que esses reajustes poderiam inibir o aumento na demanda num período bastante propicio para o setor. Muitas lojas estão colocando cartazes nas prateleiras explicando aos consumidores que os reajustes dos preços foram motivados pelas indústrias. Desse modo, as varejistas passam a imagem de “vilão do consumidor” para as fornecedoras.
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