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(SÃO PAULO) – Empresas como a Volkswagen AG, a Renault SA e a Ford Motor Co. continuam disputando quotas de mercado na Rússia, apesar da queda na demanda de carros, o que as coloca em risco de vender cada veículo com prejuízo.
Como os aumentos de preços não são suficientes para compensar a queda do rublo, as fabricantes internacionais de veículos podem perder até US$ 2.000 por cada veículo vendido, segundo Vladimir Mozhenkov, chefe da Associação Russa de Concessionárias de Automóveis.
A disposição para sofrer prejuízos na Rússia se deve às perspectivas de uma recuperação do mercado. Em 2011, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, se vangloriava de que o mercado automotivo do país podia ultrapassar a Alemanha como o maior mercado da Europa no ano seguinte.
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“É fácil deixar o mercado, mas não é fácil voltar”, disse Mozhenkov, representante de concessionárias de carros que respondem por 40 por cento das vendas na Rússia, em uma entrevista.
A General Motors Co. se tornou a primeira vítima entre as grandes fabricantes de veículos, tendo anunciado na quarta-feira planos para retirar sua marca Opel e os modelos comuns da Chevrolet do país. A medida custará cerca de US$ 600 milhões à fabricante com sede em Detroit.
As vendas de carros subsidiados na Rússia geraram prejuízos de US$ 800 milhões a US$ 900 milhões para as fabricantes internacionais de carros nos últimos dois meses de 2014, estima a associação. Com a economia à beira da recessão, a situação se deteriorou ainda mais desde então. As vendas de carros caíram 38 por cento em fevereiro, o que, segundo a Associação de Empresas Europeias da Rússia (RAEB), é “apenas o começo”.
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Estratégia da Ford
Outras empresas também estão tendo problemas. Mozhenkov disse que a Ford está em uma “situação muito ruim” porque a empresa “escolheu o segmento de preços errado”. Isso está fazendo com que as concessionárias da Ford fechem ou passem para outras marcas, entre elas empresas chinesas, disse ele, acrescentando que a PSA Peugeot Citroën e a Honda Motor Co. também estão enfrentando desafios competitivos.
Mas a Ford está preparada para resistir. O CEO Mark Fields disse no fim de janeiro que a fabricante de veículos planejava continuar lançando novos modelos no mercado. Elizaveta Novikova, porta-voz da joint venture da Ford na Rússia, disse que a empresa continuará oferecendo novos produtos e trabalhando para localizar a produção a fim de reduzir os riscos cambiais.
A RAEB, que acompanha as vendas de carros e veículos leves, prognostica que os envios totais do setor cairão 24 por cento neste ano depois de uma queda de 10 por cento em 2014.
O colapso do mercado é especialmente difícil para as pessoas que investiram cerca de US$ 15 bilhões na rede de vendas de carros da Rússia nos últimos quinze anos. Se o mercado decair conforme o prognosticado, cerca de 25 por cento das concessionárias do país poderiam fechar, causando a perda de até 80.000 empregos, disse Mozhenkov.