Quase metade dos brasileiros já comprou algo por impulso e nunca usou

Apesar disso, 88% dos entrevistados se autodeclaram como conservadores ou moderados quando vão as compras
Woman looking at dress
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SÃO PAULO – Uma pesquisa realizada pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) revelou que 47% dos brasileiros já compraram algo por impulso e nem sequer chegaram a usar o produto. Apesar disso, 88% dos entrevistados se autodeclaram como conservadores ou moderados quando vão as compras.

Segundo o estudo, 59% já compraram algo pensando “eu mereço”, mesmo sem ter condições financeiras. Outros 62% assumem que mesmo antes de receber o salário já pensam em compras supérfluas que farão no mês seguinte. Entre os entrevistados da classe C,D e E o indicador é de 69%, entre os consumidores da classe A e B, o indicador é menor, de 51%.

Para o gerente financeiro do SPC Brasil, Flávio Borges, a tendência ao consumo imediatista e impulsivo por uma parcela expressiva da população é reflexo das recentes alterações na estrutura de renda do brasileiro e no acesso ao crédito, que apresentou forte expansão nos últimos anos.

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“Com desemprego em baixa e reajustes salariais acima da inflação, temos assistido a uma crescente inserção do consumidor ao mercado de crédito, o que garante mais poder de compra. O problema é que a melhora da condição financeira da população nem sempre vem acompanhada de uma maior consciência sobre como gastar esse dinheiro“, explica.

Afirmação social
O estudo indicou ainda que o brasileiro tende a se preocupar com a imagem que transmite às pessoas do seu convívio como parentes, amigos e colegas de trabalho, idealizando para si próprio um padrão de consumo que muitas vezes não corresponde ao orçamento pessoal.

Pelos dados 30% já se sentiram discriminados por um vendedor e acabaram comprando o produto para provar que tinham condições financeiras de arcar com o custo. No mesmo sentido, 21% dos entrevistados disseram que costumam acompanhar familiares ou amigos a lugares que extrapolam seu próprio orçamento apenas para “não fazer feio”. Este percentual sobe para 24% entre aqueles que são das classes C, D e E e cai para 15% entre os de maior renda.

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Borges explica que esse comportamento contribui para o elevado nível de endividamento (comprometimento do orçamento com dívidas a pagar) da população. “Várias das conclusões do estudo reforçam a constatação de que o brasileiro tem satisfação em gastar o seu salário logo que recebe. Com uma visão mais imediatista para a realização de seus sonhos e desejos, ele acaba pagando a mais em forma de juros embutidos nos financiamentos. Isso explica o fato de o Brasil ser um dos países que menos poupam no mundo.”

Por fim, os dados indicaram que 33% dos entrevistados confessam que já deram um presente muito acima de seu orçamento apenas para impressionar o presenteado e, 43% quando compram um produto recém-lançado no mercado, fazem questão de exibir a novidade para os amigos.