Preços dos alimentos vão aumentar até 2015, diz presidente do Bird

Segundo Robert Zoellick, crise vai se estender pelos próximos sete anos, a não ser que seja adotada política de oferta de alimentos

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SÃO PAULO – O presidente do Bird (Banco Mundial), Robert Zoellick, afirmou na última quarta-feira (7) que os preços dos alimentos continuarão em alta até 2015 e dificilmente vão recuperar os mesmos níveis de 2004, por conta, principalmente, da crescente demanda dos países em desenvolvimento.

Em visita oficial ao México, Zoellick disse que a crise mundial de alimentos deve se estender pelos próximos sete anos, a não ser que todos os países procurem modificar sua política de oferta de alimentos de forma a frear os preços entre 2009 e 2010.

Sobre a produção de biocombustíveis, assunto que tem mobilizado as atenções, por ser apontado como um dos agravantes para a crise dos alimentos, Zoellick afirmou que hoje há um debate sobre o uso de grãos e produtos agrícolas, como o milho, nos Estados Unidos, e a cana-de-açúcar, no Brasil, para promover a produção, sem aumentar os preços. O presidente do Bird recomendou, no entanto, a busca por fontes alternativas, como os materiais derivados da celulose.

Outras opiniões

Em outras ocasiões, representantes de organismos internacionais apontaram saídas que vão do diálogo a medidas mais radicais para conter a inflação dos alimentos. Para o diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), Jacques Diouf, a influência da produção de biocombustíveis sobre a alta nos preços dos alimentos depende das políticas públicas e medidas que cada país adotar ao estimular a agroenergia.

“O caráter positivo ou negativo do desenvolvimento dos biocombustíveis para a segurança alimentar vai depender das políticas que se adotem em escala nacional e internacional sobre a produção e a distribuição, assim como dos fatores que afetam o comércio internacional, principalmente os subsídios e os direitos de importação”, avaliou, em discurso na abertura da sessão plenária da 30ª Conferência Regional da FAO.

Entre as sugestões para melhorar o setor, Diouf citou a necessidade de maior coordenação entre os setores público e privado e a inclusão de pequenos agricultores nos mercados.

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Segundo relatório da entidade, os preços dos grãos devem subir 56% este ano, contra avanço de 37% registrado entre o ano passado e o retrasado.

Já o relator da ONU (Organização das Nações Unidas) para o direito à alimentação, Jean Ziegler, chegou a apelar, no final de abril, para a suspensão “total” da produção dos biocombustíveis, que ele acusou ser uma das causas para o aumento dos preços dos produtos agrícolas.

Cresce demanda por etanol no Brasil

No Brasil, conforme dados divulgados pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética), a cana-de-açúcar tornou-se a segunda fonte primária de energia, com participação de 16%, perdendo apenas para o petróleo e derivados, com 36%. O grande responsável foi a produção de etanol, cuja demanda cresceu 46,1%, chegando a 10,4 bilhões de litros em 2007.