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SÃO PAULO – Por causa do desequilíbrio entre a oferta e a demanda, o preço dos alimentos vai continuar subindo até 2015. A estimativa é do diretor da Divisão de Mercados, Comércio e Instituições da Cepal (Comissão Econômica para América Latina e Caribe), Máximo Torero.
O diretor participou, junto com outros pesquisadores e especialistas da Cepal, de seminário para discutir a crise alimentar, com foco nas oportunidades e desafios para a América Latina e o Caribe. O encontro, que teve início na quinta-feira (4), aconteceu na sede regional da Cepal no Chile.
Competição por terra
Durante sua apresentação, Torero afirmou que o preço dos alimentos no mundo continuará sendo afetado principalmente pela produção de energia, em um primeiro momento, por causa do encarecimento de fontes como o petróleo, por exemplo, que fornece energia para a agricultura.
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Entretanto, a produção de biocombustíveis também afetará os preços dos alimentos em um prazo maior, por causa da competição por terra. O problema, ainda que não afete o Brasil diretamente, dada a extensão de terra disponível para cultivo, impacta nos preços de alguns dos produtos que o país importa, como o trigo, por exemplo.
Produção insuficiente
E o trigo, além de outros cereais, não estão sendo produzidos a uma taxa suficiente para atender às necessidades de consumo da população mundial, segundo o diretor da Divisão de Mercados da Cepal. De acordo com dados apresentados por ele, os estoques mundiais de trigo diminuíram quase 200 milhões de toneladas em sete anos.
Somando o fato da queda dos estoques de cereais à diminuição da produtividade anual destes itens, o resultado é o aumento de seus preços, inclusive para os brasileiros. Torero, durante seu relatório, destacou as ações do Brasil justamente no sentido de aliviar o impacto do aumento dos preços no orçamento da população.
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Intervenção do governo
Uma das medidas citadas foi a isenção de taxas sobre a importação do trigo, o que contribuiu para segurar a inflação sobre a farinha de trigo e seus derivados, com as massas e o pão francês.
A última ação do governo brasileiro nesse sentido foi prorrogar até junho de 2009 a isenção das alíquotas do PIS/Pasep e do Cofins incidentes sobre o trigo in natura, a farinha de trigo e pré-misturas. O benefício abrange as operações de importação e comercialização no mercado interno.