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SÃO PAULO – O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta sexta-feira (5) o fim do horário de verão em 2019. Ainda que querida por muitos por prolongar a luz do dia, a verdadeira utilidade desta medida vem sendo questionada há algum tempo.
O ato de mudar o relógio durante determinado período do ano está em vigor desde desde 1931 no Brasil e é adotado em mais de 70 países. Na época, o horário de verão foi implantado para permitir maior economia de energia no Brasil — e chegou a funcionar muito bem.
Durante os anos que seguiram a legislação do horário de verão, caiu o desperdício causado por um pico de energia decorrente do uso de chuveiros elétricos de muitas casas ao mesmo tempo em que as luzes eram acesas.
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Mas não existe mais uma economia que justifique a alteração nos relógios, segundo análise feita pela Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia (Abesco). De acordo com Alexandre Moana, presidente da Associação, o período de 4 meses em que os relógios são adiantados vêm correspondendo a aumento no consumo – e não queda.
A virada tem relação com o ar-condicionado. “Na prática, na maior parte do Brasil, esse aparelho é usado ao máximo. Por isso, essa mudança de horário não faz mais sentido. O horário de verão já não tem tanta relevância como antes”, enfatiza Moana.
“O ar-condicionado não é que nem o chuveiro, que você liga durante cerca de dez minutos. Geralmente as pessoas usam por mais tempo: para dormir, por exemplo. Então, conclui-se que a temperatura é o que mais influencia os hábitos do consumidor e não a incidência da luz”, diz.
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Moana explica também que o aparelho de ar-condicionado tem a possibilidade de ser ainda mais eficiente do que o chuveiro, desde que haja um isolamento adequado do ambiente em que ele está instalado.
“O chuveiro tem 96% de eficiência energética. Já o ar-condicionado é variável. Por exemplo, se houver uma fresta aberta no ambiente, pode haver desperdício de cerca de 20% de energia. Já a instalação de um aparelho com tamanho diferente do ideal pode gerar mais de 30% de perda”, explica.
Na outra ponta, o lazer
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No entanto, a “extensão do dia” pode ser benéfica principalmente para o comércio. A Abrasel-SP (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) defende que a manutenção do horário de verão faz sentido.
“Penso que há um aumento de 20% no número de clientes nos bares nessa época do ano. Na claridade do dia há mais segurança, as pessoas se sentem mais à vontade para circular. Entendemos que isso incrementa o happy hour, pois aumenta o consumo de cerveja”, disse Percival Maricato, presidente da Abrasel, ao G1.
No caso de Minas Gerais, por exemplo, a medida também é positiva. Segundo a Abrasel-MG, com os relógios adiantados, o faturamento dos bares e restaurantes da capital cresce entre 5% e 7%. Nos estabelecimentos com mesas na calçada, o aumento pode chegar a 50%.
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“Nessa época, os bares investem mais para atrair o cliente para o happy hour, além de o horário de verão também ajudar a economizar energia por causa da claridade”, afirma o presidente da Abrasel-MG, Ricardo Rodrigues.
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