Popularização dos cartões de crédito e débito traz benefícios para a economia

Utilização dos meios eletrônicos no Brasil ultrassou os cheques em 2004, gerando economia e segurança para o Brasil

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SÃO PAULO – Os consumidores brasileiros cada vez mais aderem aos cartões de débito ou crédito em suas compras, aproximando-se de um comportamento já verificado de forma mais intensa em outras partes do mundo, sobretudo nos países desenvolvidos. Esta tendência possibilita vários benefícios para a economia do País.

Em 2004, pela primeira vez na história brasileira, o número de transações envolvendo cartões superou a quantidade de pagamentos realizados com cheques, alcançando 37% do mercado, contra 36% do método mais tradicional, segundo revelam dados do Banco Central. Para se ter uma idéia do processo de popularização dos cartões, cinco anos antes, em 1999, a divisão das transações ficava assim: 63,5% para os cheques, e16% para crédito ou débito.

Esta evolução dos meios eletrônicos de pagamento, defendida e estimulada pelo Governo, tem promovido a ampliação do mercado consumidor brasileiro, compensando a baixa bancarização verificada no País. Os cartões de crédito, por exemplo, possuem uma linha de financiamento rotativo agregada a seus serviços e também facilitam a gestão de caixa dos consumidores, permitindo a quitação de todos os gastos do mês em uma única fatura, sem ônus ao usuário.

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O resultado do maior número de pessoas capacitadas a consumir é o aquecimento da economia do País. Estima-se que um aumento de 10% na utilização de pagamentos eletrônicos acarrete um aumento de 0,5% no nível de consumo, o que significa mais faturamento para as empresas e mais postos de trabalho criados. Entre 1999 e 2004, o emprego de cartões cresceu 131,25% no Brasil.

Além dos números ascendentes do setor, a popularização de cartões de crédito e débito pode ser conferida também por sua difusão pelos extratos sociais do País. A Visa, por exemplo, maior operadora do mundo, tem 44% de seus cartões brasileiros nas mãos de pessoas da classe C, enquanto 29% estão no segmento DE e outros 64% na classe AB. Vale dizer que a somatória das porcentagens excede 100% porque a conta considera débito e crédito, e muitos dos usuários possuem as duas modalidades.

Mais vantagens

Os meios eletrônicos de pagamento não beneficiam o País apenas por incrementar o mercado consumidor. Comprar com crédito ou débito também possibilita economia de até 50% para o sistema financeiro nacional, o que no caso brasileiro tem correspondido a US$ 5,8 bilhões que deixam de ser gastos por ano.

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Além disso, o poder público sai ganhando quando ele mesmo usa os métodos eletrônicos de pagamento, que permitem uma redução de 70% no tempo de processamento das compras e traz maior transparência ao controle de gastos, uma vez que as movimentações de valores são inevitavelmente monitoradas.

É possível, ainda, elencar como outros benefícios a segurança e a praticidade que os cartões proporcionam aos usuários.

Dinheiro movimentado ainda é baixo

Apesar do bom desempenho dos últimos anos, todos os agentes do setor de cartões não deixam de apontar algumas deficiências e desafios para os próximos anos. Por exemplo: a utilização de cartões se populariza, mas as cifras envolvidas ainda são muito baixas. Para efeito ilustrativo, no ano passado, débito e crédito juntos movimentaram R$ 135 bilhões no Brasil, enquanto os cheques foram responsáveis pela transação de R$ 1,08 trilhão.

Embora, em número de cartões emitidos, o Brasil seja o segundo maior mercado do mundo, com 263 milhões de unidades, atrás apenas dos Estados Unidos, que têm 755 milhões de cartões, ao se considerar os valores processados em vendas o País cai para a 11ª posição global. Comparativamente, o México tem apenas 44 milhões de cartões, mas seu faturamento é quase 10% maior que o brasileiro.

Vale dizer que a maioria do mercado brasileiro, como o mundial, está nas mãos das operadoras Visa e Mastercard. A primeira delas movimentou R$ 72 bilhões em 2004, ou cerca de 53% do total, e a segunda processou R$ 49,2 bilhões, equivalentes a 36,4% do setor. Em quantidade de cartões, a Visa conta com 116 milhões e a Mastercard com 85 milhões. O débito representa a maioria deste mercado.