25 casos no Brasil

Planos de saúde ainda não cobrem gastos com teste do novo coronavírus no Brasil

Preço de custo varia entre R$ 160 e R$ 350, mas hospitais podem cobrar mais caro

SÃO PAULO – Com o avanço da Covid-19 no país, alguns laboratórios brasileiros já disponibilizam seus testes para a doença. Mas, por ora, quem quiser ser testado na rede privada terá de pagar do próprio bolso, mesmo que possua plano de saúde.

Isso porque o exame de detecção do novo coronavírus ainda não consta no rol de obrigatoriedade da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) – órgão responsável por fiscalizar o setor de planos de saúde no Brasil.

Os laboratórios do Grupo Dasa, Grupo Fleury, Alliar, Hermes Pardini e Sabin afirmaram que estão cobrando o preço de custo dos hospitais parceiros (que varia entre R$ 160 e R$ 350), já que se trata de uma situação crítica de saúde pública. Mas o preço pago pelo paciente é definido pelo hospital.

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Segundo relatos de médicos e pacientes, em São Paulo os valores partem de R$ 230, mas atendimentos diferenciados levam a preços mais altos.

Alliar, Dasa, Hermes Pardini e Sabin também estão realizando o exame em domicílio, por exemplo. Segundo Emerson Gasparetto, vice-presidente da área médica da Dasa, tal medida é fundamental para reduzir o risco de contágio.

“A letalidade do Coronavírus não é considerada muito alta, mas o vírus tem rápida capacidade de contágio. Por isso, impedir a propagação é uma estratégia fundamental para evitarmos o cenário epidêmico”, afirmou Gasparetto.

Como qualquer novidade sobre o novo coronavírus é tratada como urgência de saúde pública, se algum laboratório particular realizar o teste e detectar um caso positivo, é de obrigação da instituição seguir o procedimento padrão de notificar o Ministério da Saúde imediatamente e mandar a contraprova para algum laboratório de referência da rede pública.

Setor público

Quatro laboratórios de referência no país já estão realizando os testes pelo SUS, segundo informações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e do Ministério da Saúde.

Os responsáveis no sudeste são o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro. No Norte, o Instituto Evandro Chagas, no Pará, é o responsável por realizar o exame, e no centro-oeste a função fica a cargo do Laboratório Central de Goiás.

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Para realizar os exames por todo o Brasil, o Ministério da Saúde encomendou à Fiocruz o desenvolvimento e a produção de kits para diagnóstico laboratorial destinados a atender a rede de laboratórios públicos de todo o país. Os kits foram desenvolvidos pelos Institutos de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) e de Biologia Molecular do Paraná (IBMP).

“O kit nacional reforça e qualifica a capacidade já demonstrada pelo Ministério e pelo SUS na resposta à emergência global. São ações estratégicas de Estado”, explica Maurício Zuma, diretor do Bio-Manguinhos/Fiocruz”

Ainda segundo orientação da pasta, a Fiocruz também atuará no processo de descentralização e expansão da capacidade laboratorial para realização dos testes de detecção do novo coronavírus, o que inclui não apenas o desenvolvimento e a produção, mas também a capacitação de laboratórios públicos presentes em diversos estados.

“Além de expandirmos a capacidade de diagnóstico para várias partes do país, vamos agilizar ainda mais o tempo de resposta ao paciente, uma vez que os laboratórios poderão testar Influenza [vírus da gripe comum] e o novo coronavírus, fazendo um diagnóstico diferencial”, comenta Marco Krieger, vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da rede.

O teste

Por se tratar de uma infecção respiratória, o diagnóstico do novo coronavírus é feito a partir de uma amostra de raspado de nasofaringe, isto é, material obtido da mucosa do fundo do nariz com uma haste flexível. Também serão aceitos outros materiais do trato respiratório.

Após a coleta, o material é enviado para uma análise na área de biologia molecular. A média é que o resultado saia em até 72 horas.

A recomendação do Ministério da Saúde é que os médicos primeiro avaliem o quadro clínico do paciente para depois checar se o teste deve ser realizado. Ou seja, o exame não é indicado a toda a população.

“O paciente precisa ter pedido médico e apresentar critérios clínicos”, explica Alberto Chebabo, infectologista do Grupo Dasa.

A realização dos testes segue os critérios epidemiológicos do Ministério da Saúde, ou seja, é recomendada apenas para pessoas com febre associada a um sintoma respiratório, como tosse ou dificuldade para respirar e que tenham histórico de viagem à uma área com transmissão local do vírus ou contato próximo com caso suspeito ou confirmado, nos 14 dias que antecederam o início dos sintomas.

Segundo o último relatório do Ministério da Saúde divulgado na segunda (9), o Brasil já possui 25 casos confirmados e 930 suspeitos.

Filantropia

Nessa segunda-feira (9), a Bill & Melinda Gates Foundation, fundação filantrópica fundada por Bill Gates e sua esposa, anunciou que irá financiar um novo tipo de testes para o novo coronavírus que pode ser realizado em casa.

Segundo a fundação, aqueles que suspeitarem que estão infectados poderão receber o teste após responder um questionário online sobre sintomas característicos da doença e a presença recente em países com o grau de contágio elevado.

O laboratório envia por correspondência um kit contendo o material de coleta e um manual de manuseia do equipamento. Após a coleta, é necessário devolver o kit para análise e, 48h depois, o resultado é enviado por e-mail.

Segundo informações do projeto, o laboratório da fundação será capaz de realizar cerca de 400 testes por dia. Por enquanto, o protótipo do kit está nas fases finais de desenvolvimento. Na fase inicial do projeto, o teste da fundação será realizado apenas na região de Seattle, EUA – uma das áreas mais afetadas do país.

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