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SÃO PAULO – A capital brasileira é vista com maus olhos até pelos parlamentares. Tanto que a quinta-feira se transformou no dia de pegar o avião e voltar para a cidade natal. Nada de passar o fim-de-semana em Brasília, sem nada para fazer. Seja por falta de informação ou por puro preconceito, a cidade não consegue atrair milhares de turistas que poderiam apreciar seus magníficos edifícios modernistas e o plano urbano de Lucio Costa. Uma cidade única, construída numa época em que o Brasil despertava inveja no restante do mundo.
Ainda que para a maioria a capital não passe de um palco para a corrupção e um amontoado de concreto, sem vida, Brasília esconde as maiores jóias da arquitetura brasileira. E poucas horas dali, outro destino turístico, pouco conhecido pelos brasileiros, completa as férias de quem ainda busca história e tranqüilidade: Goiás Velho, antiga capital do Estado, erguida no começo do século XVIII.
Patrimônio da humanidade
Impossível passear por suas ruas arborizadas, com gramado impecável, sem ter a sensação de que aquilo foi pensado para uma nova sociedade, de um novo país que crescia. Mesmo para quem não é o maior fã de Niemeyer, a cidade ostenta edifícios sofisticados dos mais conceituados arquitetos da época. Sem contar com as construções novas, em estilo contemporâneo, com a Ponte Juscelino Kubitschek sobre o Lago Paranoá.
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A cidade, que completa agora 45 anos, ganhará novos monumentos, edifícios imponentes projetados por Oscar Niemeyer, grandes autopistas e um sambódromo numa das cidades-satélites. O Distrito Federal foi transformado num grande canteiro de obras. A Esplanada dos Ministérios, onde também ficam os palácios do governo, o Congresso e a Catedral, será completada com a inauguração de um museu e uma biblioteca.
Um dos destaques do roteiro turístico é a SQS 114, super-quadra do projeto original de Lúcio Costa que está totalmente preservada. É possível encontrar, num único só espaço prédios residenciais, escolas, comércio, tudo aberto e repleto de áreas verdes. Quem mora nesse endereço não precisa sair dali para nada.
Outro fator que afasta turistas da capital é o preço. Hospedar-se em Brasília é caro. Infelizmente, o conceito de home stay – famílias que alugam quartos em casa para fazer um dinheiro extra – ainda não é difundido no País. Uma pena, já que as casas de Brasília são bastante peculiares. Mas existem opções mais econômicas que custam a partir de R$ 100 por casal durante o fim-de-semana. Um bom preço para uma cidade onde os hotéis são voltados para executivos que viajam a negócio e altos funcionários públicos.
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Como tudo em Brasília fica afastado, o ideal é alugar um carro. Usar o transporte público nem sempre é o mais vantajoso. Os pontos de ônibus ficam longe e é preciso andar muito para encontrá-los. Ainda mais para quem não conhece a cidade. A locação de um veículo não deve pesar tanto no orçamento da viagem, uma vez que três são mais que suficientes para conhecer o que a capital oferece.
Ainda existem ótimas opções para compras, com shoppings modernos e ruas comerciais, do popular ao sofisticado. Sem contar com os restaurantes e boates badaladas, onde é possível encontrar filhos de ministros, diplomatas, fazendeiros da região e executivos de estatais. Tudo muito chique (e caro também).
Dos tempos da mineração
Existe ainda uma excelente opção não muito longe para completar o roteiro: Goiás Velho, antiga capital do estado construída na época da mineração. Assim como as cidades históricas de Minas Gerais, a cidade apresenta a beleza e simplicidade de um casario colonial que só os portugueses sabiam fazer.
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Fundada em 1725, a cidade oferece boas pousadas a custo bastante baixo, para compensar a hospedagem em Brasília. Tudo muito bem preservado, mesmo após a grande chuva que praticamente destruiu a cidade há alguns anos. Porém, como o apoio da iniciativa privada, Goiás Velho foi recuperada, mantendo seu caráter original.
Além das Igrejas de São Francisco de Paula, do Carmo e de Nossa Senhora de Boa Morte, a grande atração do município é a antiga residência da poetisa Cora Carolina, aberta hoje à visitação. A casa foi mantida como a poetisa a utilizava, com seus móveis e objetos da época, sem contar com seus poemas, que tratam de sua vida cotidiana. Também vale a pela ler sua obra para conhecer um pouco mais sobre a história da cidade. Bom descanso!