Estudo da Bloomberg

Pesquisa com 5 mil proprietários mostra o que o Model 3 da Tesla tem de melhor (e pior)

A pesquisa sobre a companhia de Musk detalha quais aspectos do Model 3 estão mais problemáticos, de acordo com os próprios consumidores

Apresentação do Model 3 em uma feira de carros. O veículo é vermelho e há um banner da Tesla na parte superior da imagem
(Shutterstock)

SÃO PAULO – A Tesla, montadora de carros elétricos de Elon Musk, vendeu mais de 350 mil de seus sedãs Model 3 desde 2017. Mas muitos desses carros saíram da fábrica com defeitos estéticos e, em menor número, problemas mecânicos.

Diante desse cenário, a agência Bloomberg realizou uma pesquisa sobre defeitos e satisfação do consumidor nos carros da Tesla, contando com os relatos de quase cinco mil proprietários do Model 3.

Para identificar como os donos do veículo avaliam as funcionalidades e as características do carro, a Bloomberg analisou as descrições dos defeitos relatados pelos proprietários de acordo com a frequência das palavras-chave usadas nas respostas da pesquisa.

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O estudo considerou os problemas descobertos no primeiros 30 dias de uso do veículo.

A agência realizou um questionário de 164 itens e pediu que os respondentes classificassem cada defeito como um problema “principal” ou “menor”. Então, o jornal compilou as críticas e contabilizou quais problemas foram relatados mais vezes.

Aos resultados

A pesquisa descobriu que a taxa de defeitos atingiu o pico no ano passado durante o terceiro trimestre, com 80 problemas registrados para cada 100 carros vendidos, mas a Tesla melhorou os resultados.

A taxa de reclamações de novos proprietários diminuiu 44% no terceiro trimestre de 2019, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

O pior mês isolado para a Tesla, considerando o montante de erros identificados nos veículos, foi fevereiro de 2019, que registrou 101 problemas para cada 100 carros vendidos.

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Como explica a Bloomberg, esse período de inúmeros problemas relatados coincide com o momento em que a Tesla começou a exportar o modelo para outros países, em meio a uma grande mudança de produção e logística.

Nos meses seguintes, a qualidade do acabamento do veículo melhorou e os dados atingiram um mínimo de 35 falhas para cada 100 carros em setembro de 2019, de acordo com os proprietários pesquisados.

Como mostra o estudo, a maioria dos problemas envolve o exterior do carro. A tinta foi, de longe, a maior fonte de reclamações, com cerca de 12% dos proprietários relatando um problema na pintura do Model 3.

Esse item foi seguido por erros no acabamento do capô, depois arranhões e amassados na lataria.

Confira na tabela abaixo quais foram os erros mais relatados pelos usuários do Tesla Model 3. As colunas representam as partes do veículo analisadas na pesquisa, já as linhas mostram quais problemas foram mais citados em cada setor do carro.

EXTERIOR DO CARROINTERIOR DO CARROPARTES ELÉTRICASSISTEMA DE DIREÇÃO E CHASSI
Pintura (590)Assentos (164)Software (213)Carregador (99)
Capô (302)Acabamento (128)Touchscreen (203)Bateria (65)
Arranhões e amassados (257)Barulhos estranhos (124)Seta (86)Carregamento (65)
Vidros e janelas (193)Arranhões e manchas (104)Controle de temperatura (44)Freios (63)
Portas (100)Volante (82)Câmeras (41)Entrada do carregador (59)
Faróis (96)Painel (70)Desbloqueio do carro (37)Energia e fiação (45)
Parafusos (94)Porta luvas (62)Conectividade (36)Barulhos estranhos (29)
Acabamento (88)estofamento (59)Sistema estéreo (32)Suspensão (28)
Porta mala (73)Portas (52)Computador de bordo (28)Direção (27)
Maçanetas (60)Alto-falantes (14)Portas USB (16)Motor (26)

Mesmo com as falhas, a pesquisa mostra que os proprietários da Tesla adoram seus carros. Foram registradas inúmeras frases que deixam claro que, mesmo com os problemas, os proprietários são fãs do Model 3.

Cerca de 99,6% dos entrevistados afirmaram que estão muito satisfeitos com o Model 3. Afirmações como”carro espetacular” e um “prazer de dirigir” foram recorrentes.

Essa boa avaliação registrada de forma quase unânime é, de acordo com a Bloomberg, um tipo de consenso raramente alcançado por qualquer produto de consumo.

De acordo com a própria Bloomberg, uma limitação à pesquisa da Tesla é que ela não fornece informações comparáveis ​​sobre outras montadoras estabelecidas há mais tempo e com maior presença no mercado.

Uma das maiores fornecedoras de pesquisas sobre o setor automobilístico, a J.D. Power, relatou uma média da indústria de 91 problemas por 100 carros em 2019. Porém, algumas diferenças nas metodologias de pesquisa tornam impossível a comparação direta.

Por exemplo, J.D. Power pede aos proprietários relatos sobre problemas descobertos nos primeiros 90 dias, em comparação com o período inicial de 30 dias na pesquisa da Bloomberg. Tal diferença invalida a comparação entre as pesquisas. Nas pesquisas anuais da J.D. Power, a Tesla nunca foi incluída.

“A pesquisa do Model 3 pode, no entanto, identificar as principais áreas problemáticas da Tesla e acompanhar a trajetória da companhia em mudar essa situação”, afirma o relatório da Bloomberg

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