Passagens aéreas podem subir depois do reajuste dos combustíveis

Aumento de 14,8% do querosese de avião pode ser integralmente repassado ao consumidor, vendas devem ser novamente afetadas

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SÃO PAULO – Como já haviam anunciado na semana passada, as companhias aéreas devem reajustar suas tarifas em função do aumento anunciado pela Petrobras nesta sexta-feira, dia 1o. de novembro, no preço do querosene de avião. Segundo as companhias, o preço do querosene será reajustado em 14,8% nesta próxima segunda-feira, dia 4.

Repasse para consumidor não foi definido

Este seria o segundo reajuste das tarifas, que já foram aumentadas em 16% no início de outubro, quando a Petrobras anunciou um aumento de 16,3% no preço do querosene de avião. O Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) anunciou que as empresas do setor ainda estão estudando o impacto do aumento nos seus custos de produção.

Se considerarmos que o querosene responde por entre 20% a 25% do custo total das empresas o aumento deveria ficar em no máximo 4%, mas é possível que as empresas optem por um aumento maior como forma de repor suas margens, já que a alta do dólar aumentou outros custos do setor, como aluguel de aviões ou as peças usadas na manutenção das aeronaves.

Repasse está cada vez mais difícil

Contudo, como lembra o vice-presidente da TAM, Wagner Ferreira, não parece haver espaço para novos reajustes de tarifas, uma vez que o número de passageiros no mercado doméstico tem registrado queda desde agosto. Esta percepção é dividida pelo Snea, que afirma que a venda de passagens caiu 3% no mês de setembro e 5% em outubro. Para o vice-presidente da TAM, o setor aéreo está se tornando inviável com a alta do dólar, já que a dependência sobre a moeda norte-americana chega a 55%.

Por último, o setor reclama que estaria havendo abuso no aumento do querosene de avião, já que enquanto a maioria dos derivados, como a gasolina, registra alta de 30% nos últimos 12 meses, o querosene acumula alta de 136% nas refinarias. Exatamente por isto, o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (SNEA) pretende entrar novamente com representação contra a Petrobras na Secretária de Direito Econômico (SDE), alegando que a estatal teria adotado aumentos abusivos.