Passagem mais cara faz viagem do brasileiro ficar 4 dias mais curta, diz pesquisa

Pesquisa considerou buscas com origem nos principais aeroportos do Brasil entre maio e junho de 2024 para viagens em julho

Maria Luiza Dourado

Queda nos preços das passagens aéreas foi destaque no período (Foto: Divulgação/Aeroporto de Congonhas)
Queda nos preços das passagens aéreas foi destaque no período (Foto: Divulgação/Aeroporto de Congonhas)

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Apesar da queda nos preços registrada no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, divulgado nesta quarta-feira (10), as passagens aéreas continuam caras para os brasileiros, levando muitos a programar viagens mais curtas em julho para equilibrar os gastos, de acordo com um estudo completo realizado pelo buscador de voos Viajala.

O levantamento considerou as buscas de voos de ida e volta com origem nos principais aeroportos do Brasil feitas entre maio e junho de 2024 para viagens em julho, comparando-as com as buscas realizadas nas mesmas datas em 2023.

Embora as passagens aéreas tenham acumulado uma queda de 2,59% nos últimos 12 meses e uma queda expressiva de 9,88% em junho, de acordo com o IPCA, os preços ainda estão em um patamar elevado. Isso ocorre porque os preços dispararam nos últimos anos: aumento de 15,62% em 2019, 28,05% em 2020, 17,59% em 2021, 23,53% em 2022 e 47,24% em 2023.

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Segundo o estudo da Viajala, na comparação entre julho de 2023 e julho de 2024, o preço médio das viagens nacionais de ida e volta para o mês de julho subiu em média 18%. Os voos internacionais também ficaram mais caros, embora em menor proporção: os preços subiram em média 9%.

O aumento nos preços das passagens aéreas tem levado as pessoas a optarem por viagens mais curtas. De acordo com o levantamento da Viajala, as viagens nacionais buscadas para julho deste ano têm uma duração média de 4 dias a menos em comparação com o ano passado, uma queda de 28,5%, passando de 14 dias em 2023 para 10 dias em 2024. Já as viagens internacionais têm uma redução média de apenas 1 dia, com a duração média caindo de 14 para 13 dias.

“Julho é um mês de alta temporada, especialmente para férias em família e com crianças, devido ao recesso escolar. São viajantes que pagam não apenas pela sua passagem, mas também pela passagem de um grupo de três, quatro ou cinco pessoas”, diz Rodrigo Melo, diretor comercial do Viajala. “O aumento do preço dificulta as viagens, especialmente para famílias numerosas, e a solução encontrada para não ficar sem férias é reduzir a duração da estadia para compensar o aumento do custo das passagens, diminuindo os gastos com hotel, passeios e alimentação”.

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Preços

A rota nacional que ficou mais barata para as férias este ano foi Belo Horizonte – Rio de Janeiro, cujo preço no voo de ida e volta caiu de R$493 pra R$230, uma queda de 53%. E a rota que mais encareceu foi Florianópolis – São Paulo, com preços médios 30% mais altos no voo de ida e volta: de R$471 para R$613.

VIAGENS NACIONAIS

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Segundo o Viajala, os destinos nacionais que mais aumentaram de preço, em voos de ida e volta, foram:

Florianópolis, SC, com um aumento de 40% nas buscas para as férias de julho e preços 51% mais altos em média, em comparação com o ano passado;

Foz do Iguaçu, PR, que está 39% mais cara este ano em média, com procura estável em relação ao ano passado;

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Vitória, ES, com uma alta de 22% nas buscas para julho este ano e preços médios 33% mais altos.

Os destinos nacionais que mais baixaram de preço foram:

Santarém, PA, baixou 40% em buscas e 13% no preço médio para julho este ano

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Manaus, AM, com 28% menos procura este ano e preços 20% mais baixos para julho, em média

Belém, PA, com queda de 7% na popularidade este ano como destino de férias e preços médios 8% mais baixos

VIAGENS INTERNACIONAIS

Segundo o Viajala, os destinos internacionais que mais aumentaram o preço médio para as viagens de férias este ano foram:

Cuzco, no Peru, teve procura 83% mais baixa e preços médios 81% mais altos no voo de ida e volta, de R$2.189 para R$3.956

Cidade do Panamá, com buscas cinco vezes mais altas e preço médio passando de R$3.819 para R$5.504, um aumento de 44%

Los Angeles, nos Estados Unidos, com buscas 21% mais altas e um preço médio 35% mais caro, de R$3.993 para R$5.408

Já os destinos internacionais que mais baixaram o preço médio para as viagens de férias este ano foram:

Santiago, no Chile, teve procura 76% mais alta e preços médios 22% mais baixo no voo de ida e volta, de R$2.017 para R$1.579. A rota que mais barateou nas férias de julho de 2024 foi Belo Horizonte – Santiago, com preço médio 32% mais baixo, de R$2.288 para R$1.561.

Mendoza, na Argentina, com buscas 23% mais altas e preço médio passando de R$2.719 para R$2.379, uma queda de 12%

Frankfurt, na Alemanha, com buscas 41% mais altas e um preço médio 11% mais barato, de R$8.071 para R$7.201

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Mais populares

Os destinos que mais aumentaram de popularidade para a temporada são:

Belo Horizonte, MG, com 74% mais buscas para julho este ano

Campo Grande, MS, 65% mais popular em 2024

Curitiba, PR, 47% mais buscado nas férias este ano que no ano passado

Impacto das enchentes no RS

Para o executivo do Viajala, esses resultados são impactados pelas enchentes no Rio Grande do Sul, já que Gramado e Serra Gaúcha costumam estar entre os destinos mais procurados para as férias de inverno, mas estão atualmente prejudicados pela suspensão de operações do aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre.

“Ainda que existam operações em outros aeroportos próximos, como Canoas e Caxias, são menos voos diários, mais caros e com menos conexões, exigindo parada em São Paulo, o que aumenta o tempo da viagem”, afirma.

Esses fatores dificultam e encarecem a chegada ao Rio Grande do Sul, fazendo com que a demanda pelas férias no estado tenha caído drasticamente.

Falta de competitividade

Um dos principais desafios no cenário aéreo nacional é a falta de competitividade. “O Brasil é um dos maiores países da América Latina, um dos que mais depende de viagens aéreas, e um dos que têm menos companhias aéreas nacionais”, diz Rodrigo Melo. Segundo ele, é natural que os preços subam em temporadas de alta demanda, como é o caso das férias de julho, mas o que preocupa o consumidor são as altas acumuladas desde 2019

“Já são cinco anos que temos cada vez menos players nacionais, já que nesse período a Avianca quebrou e a ITA, da Itapemirim, voou por apenas alguns meses, com as perdas acumuladas da pandemia pressionando os preços até hoje”, afirma o diretor comercial do Viajala.

Maria Luiza Dourado

Repórter de Finanças do InfoMoney. É formada pela Cásper Líbero e possui especialização em Economia pela Fipe - Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.