Páscoa: com chocolate mais caro, marcas apostam em opções que cabem no bolso

Preços de chocolate em barra e bombom subiram 24,77% em 12 meses até janeiro. EXTRA reúne itens de diferentes faixas de preço para presentear na data

Agência O Globo

Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

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A menos de um mês da Páscoa, o comércio já entrou no clima da data. Mesmo com a queda da cotação do cacau no mercado internacional, o consumidor deve preparar o bolso. Segundo dados do IBGE, os preços de chocolate em barra e bombom subiram 24,77% em 12 meses até janeiro. Apesar disso, a indústria está otimista e aposta em lançamentos, parcerias e produtos em diferentes faixas de preço para garantir doces vendas.

A Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) espera crescimento na produção e nas vendas. A expectativa é superar 120 lançamentos e chegar a mais de 750 itens no mercado.

— O Brasil é um dos poucos países que produz todos os insumos: cacau, leite e açúcar. Teremos uma Páscoa ainda melhor do que a do ano passado — diz Jaime Recena, presidente executivo da Abicab.

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A Cacau Show, por exemplo, prevê produzir 10.500 toneladas de chocolate, o equivalente a 31,7 milhões de produtos, uma alta de 13% em relação a 2025. Só de ovos de Páscoa serão 25.500 unidades.

— Temos um portfólio com 75 itens, alinhado aos desejos e às necessidades dos consumidores para um evento bem democrático com opções para todos os gostos e bolsos — diz Lilian Rodrigues, diretora de Marketing da Cacau Show.

Outras marcas também apostam em diferentes estratégias. A Nestlé e a Garoto investem também em ovos já tradicionais. Já a Kopenhagen aposta em experiências sensoriais, enquanto a Brasil Cacau investe em collabs.

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— Entre Brasil Cacau e Kopenhagen, produzimos um volume 20% superior em relação a 2025 e contamos com um portfólio que combina ovos clássicos, recheados e licenciados, além de opções presenteáveis em diferentes formatos e faixas de preço — explica Fernando Vichi, CEO de Kopenhagen e Brasil Cacau.

Alta em 2024 ainda faz efeito

O principal fator por trás da alta do chocolate foi o aumento da cotação internacional do cacau em 2024, quando o preço ultrapassou 10 mil dólares por tonelada. A crise teve origem em sucessivas quebras de safra na África Ocidental, especialmente na Costa do Marfim e em Gana, responsáveis por cerca de 60% da produção mundial.

— Doenças nas lavouras, eventos climáticos extremos associados ao El Niño e envelhecimento dos cacaueiros reduziram drasticamente a oferta global. Como o cacau representa entre 30% e 40% do custo industrial do chocolate, o repasse foi inevitável — explica Ahmed El Khatib, professor e coordenador do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap).

Khatib explica ainda que, mesmo com a recente correção dos preços internacionais para a faixa de US$ 5 mil por tonelada, o alívio no preço do chocolate ainda não chega até o consumidor.

— A indústria trabalha com contratos futuros e estoques. Muitas empresas travaram preços quando o cacau estava muito caro. O reflexo na gôndola ocorre com defasagem — diz.

A Abicab lembra ainda que, além do cacau, fatores como a variação do dólar e os custos logísticos de armazenamento e transporte também influenciam no preço final do chocolate no Brasil.

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Como driblar o reajuste

Para driblar a alta sem abrir mão dos chocolates de Páscoa, Khatib diz que o consumidor pode não só fazer a já tradicional pesquisa de preços em diferentes canais como também vale comparar o valor por grama e até repensar o formato de presentear na data, optando por alternativas mais em conta.

— Muitas vezes, combinar uma barra de chocolate com uma caixa menor e um mimo adicional sai mais barato do que um ovo grande, porque o ovo concentra custo de embalagem e sazonalidade.

A estratégia é eficaz, segundo um levantamento feito pela Neogrid, que mostra que o preço do ovo de Páscoa pode ser até três vezes maior do que o do chocolate em barra. Com base em dados de supermercados, hipermercados e atacarejos de fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, o estudo aponta que o preço médio por quilo de um ovo de 100g chegou a R$ 822,39, enquanto a barra de 100g foi vendida, em média, por R$ 234,90 por quilo, no período.

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Formato

Segundo o levantamento, a diferença mostra como o formato do produto influencia no preço.

— Comparar alternativas como barras e caixas de bombom pode gerar economia relevante — diz o professor da Fecap.

Para ajudar quem quer presentear na Páscoa, o EXTRA lista abaixo opções de chocolates em diferentes faixas de preço. Confira.

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Até R$ 30

Até R$ 50

Até R$ 100

Mais de R$ 100