Parcelamento chega ao supermercado. Será que vale a pena?

Compras rotineiras não devem entrar no crédito. O hábito, orienta especialista, faz com que as dívidas se tornem impagáveis
  S&Atilde;O PAULO - O cr&eacute;dito, quem diria, chegou at&eacute; os bens de consumo n&atilde;o-dur&aacute;veis: redes de supermercados e at&eacute; pequenos varejos apostam no parcelamento de compra de alimentos. Alguns prazos de pagamento chegam at&eacute; a cem dias. Em outras palavras, coma agora e comece a pagar s&oacute; no ano que vem. <br>

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Mas até que ponto isso é bom para quem consome? Marcos Crivelaro, especialista em matemática financeira e consultor em finanças, orienta que o parcelamento de comidas não deve ser feito de maneira constante.

“Se isso acontecer, a pessoa ficará com uma dívida impagável”, afirmou.

Mudança de hábito

Conforme Crivelaro, o hábito do brasileiro mudou: antes as compras eram feitas mensalmente. Hoje em dia essa freqüência já é semanal. “Nesse caso, fazer o parcelamento perde completamente o sentido, porque a pessoa ficará defasada: compra-se a mesma coisa sempre e paga-se o que já consumiu, mais os juros”, explicou.

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Segundo o especialista, em um primeiro momento o consumidor pode até achar que compensa parcelar a compra de alimentos. No entanto, em longo prazo, os vencimentos das parcelas vão se acumulando e gerando uma “bola de neve”.

Utilização

O especialista explicou que o crédito em supermercados pode, sim, ser utilizado em situações especiais. Como exemplo estão festas de aniversário, ceia de Natal e outras comemorações.

Nesses casos, como o gasto é uma particularidade de determinado período, a obtenção do financiamento proporcionará um bom momento sem que o consumidor contraia dívidas impagáveis.

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“Também deve-se levar em conta que as grandes lojas não oferecem apenas comida. Também são vendidos eletroeletrônicos, eletrodomésticos e outros bens de consumo duráveis que compensam serem parcelados, dependendo da situação”, explicou.

Isso porque apesar de não terem taxa de anuidade, os cartões de supermercados possuem incidência de juros mensal, que varia de 3% a 5%. “Mas vale lembrar que acima de 5% já não compensa. Até 4% é a cobrança ideal”, orientou.

Interesse das redes

Para a situação ficar mais clara aos consumidores, Crivelaro explicou o porquê das redes varejistas oferecerem o parcelamento na compra de comida. Mensalmente, a empresa receberá o valor das parcelas mais a incidência de juros.

A questão é que as pessoas não podem simplesmente deixar de comprar comida. “Algumas vezes são oferecidos desconto em produtos para clientes especiais, que possuem o cartão, mas nem sempre eles compensam. Deve-se sempre ser levado em consideração o juro”, explicou.

Inadimplência

Algumas vezes, lembrou o especialista, é comum que a pessoa deixe de pagar uma parcela por não ter dinheiro ou simplesmente por ter se esquecido. Nesses casos, algumas redes ou pequenos comércios cobram multa.

“Essa cobrança pode chegar a R$ 10, R$ 15. E é um risco que não compensa”, finalizou.