Para segurar custo do crédito, BC muda regras de compulsório em leasing

Com recolhimento compulsório, bancos têm menos dinheiro para emprestar; com menos dinheiro, custo do crédito tenderia a subir

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SÃO PAULO – Para evitar que os efeitos da crise financeira internacional causem um grande impacto no sistema de crédito brasileiro, o Banco Central adiou o cronograma de recolhimento compulsório para as empresas de leasing.

Segundo a Agência Brasil, com o recolhimento compulsório, os bancos têm menos dinheiro para emprestar, uma vez que parte dos recursos fica no Banco Central. Com menos dinheiro, o custo dos empréstimos tenderia a subir, para compensar a menor quantidade de recursos.

Além disso, com a crise externa, a demanda interna por crédito, por parte das instituições financeiras, tem crescido, o que também colabora para o aumento dos custos. Aumento, este, que, segundo afirmou o economista da Tendências Consultoria, Bruno Rocha, na última semana, pode ser repassado ao consumidor final na hora de uma compra financiada.

A conseqüência da medida, anunciada nesta quarta-feira (24), é que sobram mais recursos para empréstimos feitos pelo sistema financeiro.

Compulsório

No início do ano, o BC anunciou a cobrança do compulsório para os depósitos de leasing, com o objetivo de segurar o crédito e reduzir a inflação. Além disso, depois dos reajustes do IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras), anunciados em janeiro, sobre as operações de crédito, o leasing tornou-se uma forma atrativa de financiar bens.

O compulsório para esta modalidade começou a valer em 9 de maio, com o recolhimento de 5% dos recursos ao Banco Central. O percentual cresceria de cinco em cinco pontos percentuais, até chegar a 25% em janeiro de 2009.

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A medida anunciada nesta quarta-feira adia o recolhimento com alíquota de 20%, que passaria a vigorar em 14 de novembro, para 16 de janeiro de 2009. A alíquota de 25%, patamar estipulado pelo BC, entrará em vigor em 13 de março.

Aversão ao risco

De acordo com Rocha, outra conseqüência da crise é que, com menos recursos disponíveis, a custos maiores, a tendência é de maior aversão ao risco por parte das instituições financeiras, que se tornarão mais seletivas para evitar a inadimplência.

“A conseqüência disso é que os bancos se tornarão mais prudentes e conservadores na concessão de crédito, mais seletivos na hora de aprovar um financiamento”, explicou Rocha.

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Na última sexta-feira (19), também de olho na crise, o Banco Central colocou em audiência pública proposta para que todas as instituições financeiras do Brasil criem áreas de análise de risco para a concessão de crédito.