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SÃO PAULO – Para os brasileiros de baixa renda, ter um computador em casa e acessar a internet não é uma questão apenas de entretenimento ou luxo, é um investimento. Mais que isso, “a internet é como uma grande janela para o mundo”, afirma o publicitário e sócio-diretor da agência Avenida Brasil, Renato Meirelles.
Segundo ele, a relação que as classes C, D e E têm com o computador e com a internet é diferente. “O computador e a internet são ferramentas para fazer economia, gerar renda e se divertir”. Entender essa relação é perceber quem está atrás da tela dos computadores de 66% das casas brasileiras que têm PCs.
Meirelles discutiu as questões do consumidor de baixa renda em seminário realizado e organizado pelo Canal Executivo na última quarta-feira (25), em São Paulo. No encontro, ele apresentou dados de pesquisa que coordenou, que tentou revelar quem é o brasileiro de baixa renda.
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Conectados
De acordo com Meirelles, para a baixa renda, ter um computador não é uma questão de status, ele atua como fator importante nas suas relações pessoais. Para ele, “o uso da internet tem influência direta na sociabilidade”.
Além disso, ele lembra que o equipamento funciona também como utilidade doméstica e ajuda esse internauta na hora da compra, tendo papel fundamental na decisão. “A internet ajuda na pesquisa de preço e de produto”, constata.
Para ele, a baixa renda está mais conectada e, por isso, é importante que as empresas percebam o que esse consumidor quer e precisa para que a demanda seja suprida. “Não dá para pensar em futuro sem olhar esses consumidores”.
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E essa demanda não é pequena: Meirelles revela, baseado na última pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil, que 75% do internautas têm renda de até cinco salários mínimos. “Esse brasileiro não entende futuro sem computador”.
Consumindo
Quando se fala em consumo, a baixa renda apresenta números expressivos. Esses consumidores representam 76% do consumo geral, 79% do consumo em alimentos e movimentam, por ano, R$ 620 bilhões.
Por esses e outros motivos, Meirelles lembra que investir na potencialidade desse consumidor é o caminho para qualquer ramo do varejo.
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É preciso, para isso, destacar as diferenças no comportamento desses brasileiros com relação ao consumo. “A alta renda compra para ser diferente. A baixa renda consome para fazer parte, é uma forma de sociabilização, ela tem necessidade de inclusão”.