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SÃO PAULO – De acordo com o diretor do banco Itaú Unibanco, Marcos Vanderlei, 39% dos veículos vendidos em 2009 foram pagos à vista. O número, no entanto, não deve se repetir em 2010.
“No ano passado, o crédito para financiamento de veículos foi bastante retraído e os prazos caíram bastante. Mas, neste ano, a estimativa é que o crédito para o financiamento de carros cresça cerca de R$ 170 bilhões e ficará mais fácil para quem quer financiar o produto conseguir crédito”, afirma .
O presidente da Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras), Luiz Horácio Montenegro, explicou que, embora o número de pagamentos à vista tenha sido grande em 2009, não são muitos os brasileiros que possuem essa condição. “As pessoas que pagam à vista são pessoas que trocam de carro todo o ano. Não sai tão caro porque, dessa forma, a pessoa acaba tendo que completar o pagamento com aproximadamente 15% do valor, já que ele dá o carro usado – que não é tão usado assim – como parte do pagamento. E esses 15% que ele dará para adquirir um veículo novo, ele economiza durante todo o ano. Mas não é todo mundo que consegue fazer isso. Muitos consumidores precisam do crédito para fazer essa compra. E esse ano eles vão conseguir”.
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Crédito x crise
Durante apresentação no congresso “O crédito em debate”, o diretor do Itaú Unibanco, instituição líder da concessão de crédito para financiamento de veículos, afirmou qua a entidade trabalha para conseguir, neste ano, oferecer crédito a todos os clientes que o quiserem, mesmo os que enfretaram problemas durante a crise.
“Entendemos que é preciso criar condições para que clientes que tiveram problemas na crise saiam deles. Senão isso se torna um círculo vicioso. A pessoa que precisa de um automóvel para trabalhar, e não consegue comprar esse veículo, não consegue trabalhar e pagar suas dívidas e com as dívidas não consegue crédito para comprar o carro, ou seja, esse cidadão não conseguirá retomar sua condição financeira. Nós entendemos que é preciso ajudar esse cliente a respirar. Seja por meio de renegociação da dívida, reparcelamento. E é isso que faremos esse ano”, afirma Vanderlei.
Prazos de parcelamento
Ainda de acordo com os executivos, embora o prazo do financiamento seja fundamental para que o cliente opte pela compra de um automóvel – e os prazos reduzidos durante a crise tenham impedido muitos de fechar a compra – os prazos muito longos (80 meses) parecem não agradar os brasileiros.
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“Embora o parcelamento em 6 anos e meio já esteja novamente disponível no mercado, a média dos financiamentos fechados em fevereiro deste ano são de 42 meses, ou seja, 3 anos e meio. Isso acontece porque o consumidor não quer pagar por um produto que já esteja deteriorado, e é o que acontece quando se compra um carro em 80 meses. Afinal, ele percebe que o valor da parcela que ele paga é suficiente para adquirir um carro novo, e isso o desestimula”, diz Vanderlei.
Montenegro completa: “esse prazo só é útil se fosse como em outros países, onde o consumidor consegue trocar de veículo umas três vezes durante o financiamento. Mas isso acontece por meio do leasing e, aqui no Brasil, o leasing enfrenta muitas dificuldades, algumas estruturais, além da falta do conhecimento dos consumidores sobre essa modalidade, por isso essa situação ainda não acontece no Brasil”, explica.