Os produtos que você não deve comprar no free shop

Câmbio, tipo do produto e localização do free shop podem fazer com que o preço seja menos vantajoso em alguns casos; diretor-geral do Duty Free Brasil rebate argumentos

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SÃO PAULO – Os preços encontrados nos Duty Free, os famosos free shops, podem ser menores do que os do Brasil, mesmo cobrados em dólar. Entretanto, nem sempre vale mais a pena comprar no free shop – levando em conta fatores como o câmbio e tipo do produto, pode compensar comprá-los no Brasil ou no país de destino.

“Quando falamos de free shop, a primeira dica que dou é não deixar para comprar na volta”, explicou a executiva Ana Paula Tozzi, CEO da GS&AGR Consultores. “O ideal é ter em mente o que quer comprar e fazer uma pesquisa dos preços antes de embarcar”.

Ela também explicou que os preços de um mesmo produto podem ser diferentes de acordo com o local do Duty Free – e que os brasileiros são alguns dos mais caros do mundo. “Como essas lojas trabalham com a própria cotação do dólar, que normalmente é maior que o dólar turismo, não vale a pena. Elas têm que manter um câmbio estável”, disse. “Também, a questão do aumento no IOF deixou todos os produtos mais caros nos ‘free shops’ brasileiros”, finalizou.

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Um dos principais exemplos desse caso é a bebida alcóolica. Embora alguns rótulos e tipos de fato sejam mais baratos, como vinhos, os demais acabam sendo mais caros do que alguns empórios que vendem a mesma bebida no Brasil. “Depende muito: se for um rótulo impossível de encontrar no Brasil ou no país de destino de edição limitada, vale a pena”, explicou Ana.

O que diz o Duty Free Brasil
O diretor-geral da Duty Free Brasil, Gustavo Fagundes, rebateu alguns argumentos da consultora: “Nós criamos a campanha do Menor Preço garantido já no início do ano, em que qualquer viajante que comprar em uma das lojas Duty Free e depois encotrar o mesmo produto por um preço menor, será reembolsado”, disse, ressaltando que as reclamações que recebem de clientes são ínfimas.

Ele também ressalta que todos os produtos vendidos nas lojas brasileiras estão em conformidade com a regulamentação nacional. No caso do iPhone, por exemplo, ele possui certificação da Aneel e outros órgãos reguladores também possuem cobertura de garantia. “Nós realizamos pesquisas quinzenalmente com os produtos mais vendidos para tentar equivaler os preços com o de outras lojas no exterior”, disse. O câmbio do dólar também acaba saindo mais barato do que a compra feita em cartão de crédito no exterior, explicou.

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Gustavo também garantiu que as lojas do Duty Free Brasil são desenhadas especificamente para os brasileiros, garantindo os melhores preços e melhores produtos.

Comparando os preços de produtos listados no portal do Duty Free Brasil com os sites de grandes varejistas brasileiras, a executiva comentou sobre quais são os demais produtos que se encaixam nessa situação:

1. Eletroeletrônicos
“O iPhone 6 pode ser comprado por US$ 685 no Duty Free, que, convertido para o real com o dólar a US$ 3,72 e incluindo o IOF totaliza R$ 2.740. Em algumas varejistas brasileiras, esse mesmo produto pode ser encontrado por R$ 2.800 à vista ou R$ 3.200 parcelado sem juros”, explicou Ana. 

Pode acabar valendo a pena comprar no Brasil, mesmo pagando um pouco mais caro, por conta das “políticas de pagamento, garantias e defesa do consumidor”, explicou Ana. “Pesquisar o preço em varejistas brasileiras é essencial”.

Caso não tenha urgência em comprar um eletroeletrônico, vale fazer a compra nos Estados Unidos, caso esse seja o seu destino. Lá, o preço total com certeza tem melhor custo. No entanto, é preciso ficar atento ao limite de US$ 500 para compras no exterior – você pode trazer apenas um celular do exterior sem entrar na cota dos US$ 500, desde que ele já esteja usado. E este deve ser o único aparelho – se você tiver levado outro celular para a viagem, ele entrará na cota de isenção e o que você comprou no exterior será taxado.

2. Malas e acessórios
Na maioria dos casos, eles são mais baratos no Brasil ou no país de destino. Eles são produtos considerados de necessidade e urgentes e são mais caros nos Duty Frees de aeroportos.

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3. Vestuário
A consultora destaca que muitas marcas famosas encontradas nos aeroportos  são vendidas em lojas e shoppings no Brasil. Por serem cotados em dólar no aeroporto, os preços muitas vezes acabam ficando mais caros.

Além disso, dependendo do seu país de destino, as roupas podem ser muito mais baratas. Em alguns países, você encontrará lojas ou outlets com preços menores do que pagaria no free shop.

4. Cosméticos
No caso dos cosméticos, a consultora afirma que vale mais a pena comprar fora do Brasil, não no free shop. “É uma questão delicada: os Duty Frees não têm muita concorrência e muitos desses cosméticos são comprados de última hora, no desembarque, sem pesquisa”.

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De acordo com Ana, por conta dos impostos cobrados aqui, os cosméticos sempre têm preços mais altos no Brasil.

5. Chocolates
Mesmo que rótulos novos de chocolate sejam vendidos no Duty Free, eles também são mais caros. Segundo Ana, um exemplo é o Toblerone de 400g: o preço médio é de US$ 16 nessas lojas, preço total equivalente a R$ 63,32. Em mercados de São Paulo, é possível comprar o mesmo produto por R$ 41 à vista.