O seu telefone celular vai melhorar o governo: entenda como

Sua empresa permite que a população use o celular como ferramenta para refinar o levantamento das necessidades do país

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SÃO PAULO – O celular é uma grande arma contra os serviços que não funcionam do governo: é o que explica Guilherme Lichand, um dos fundadores e CEO (Chief Executive Officer) do MGov Brasil, em Podcast na Rio Bravo Investimentos. Sua empresa permite que a população use o celular como ferramenta para refinar o levantamento das necessidades do país – municiando os gestores informações para que as tomadas de decisão sejam mais efetivas. Confira: 

Como surgiu a proposta do MGov Brasil?

O MGov tem agora dois anos e ela surgiu no momento em que eu estava no primeiro ano do meu doutorado em Economia Política e Governo, em Harvard. O que realmente o motivador foi perceber que, ainda que tivessem alguns brasileiros lá na faculdade, nenhuma das pesquisas era realmente feita no Brasil. Isso me deixou incomodado. Tinha muita gente pesquisando pobreza e iam estudar África, Índia, e eu pensava que no nordeste brasileiro havia tanta pobreza quanto nesses lugares. Por que não tinha pesquisa também sendo feita ali? O diagnóstico que apareceu foi de que faltava infraestrutura de pesquisa. Então, se, por exemplo, no Quênia tinham laboratórios sofisticados para especialistas fazerem experimentos e na Índia pessoas super bem treinadas para coletar informações sobre o impacto da pobreza, no Brasil nós não tínhamos nem uma coisa nem outra. Isso acabava limitando a vinda dos pesquisadores para trazer pesquisas de ponta, pensar nossas políticas e nossas ações de impacto social. E aí veio a ideia de que o telefone poderia, talvez, trazer essa infraestrutura de pesquisa. No Brasil, mais de 90% dos domicílios têm telefone celular, mas 80% deles são pré-pagos. Então, era ao mesmo tempo uma oportunidade e um desafio. Como explorar essa capilaridade ao mesmo tempo lidando com essa restrição? Essa era uma motivação bem ligada à parte de pesquisa. De outro lado, eu tinha vindo de uma experiência anterior no Banco Mundial que me deixou claro o quanto faltava informação para o gestor público brasileiro sobre a demanda por políticas ou avaliação de serviços públicos existentes. Nessa dimensão, parecia que o celular poderia atender esse papel de agregar informação valiosa, mas dispersa e muito custosa de ser agregada. Pensamos que juntando esses dois papéis, conseguiríamos prover um serviço de alto valor, que era apoiar o gestor público ou, hoje em dia, as fundações, organizações e institutos com ações de impacto social. Ao mesmo tempo, trazíamos pesquisa de ponta para pensar esses problemas de maneira rigorosa.

Estamos falando de telefone celular, não necessariamente Smartphone. Telefone celular de um modo geral.

Perfeito. A estimativa aqui no Brasil de Smartphones é de 40% do estoque de aparelhos, mas está crescendo muito rápido. Em breve, nós estimamos quase 100% dos aparelhos, mas a questão principal é que o Plano de Dados é muito raro aqui no Brasil. O Brasil tem a telefonia mais cara do mundo. O Plano de Dados mais barato que tem, quando tem promoção, é R$7,50 por mês, o que para nós não é nada, mas é super caro para quem vive em condições de pobreza. Todo mundo tem celular. Pode até ter smartphone, porque hoje em dia está capilarizando muito, mas o problema mesmo é o Plano de Dados. Nós precisávamos de uma solução que não dependesse de aplicativos, acesso a internet, etc. Então, nós resolvemos ir para a SMS e voz, que todo telefone tem, então serve para tudo. Eu acho que há menos diferença entre o Smartphone e o aparelho comum do que entre o Plano de Dados e o Pré-pago.

Você tinha alguma referência de início? Você comentou sobre a carência de infraestrutura aqui no Brasil, comparada a outros países. Alguma referência surgiu como exemplo?

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Quando eu estava no Banco Mundial, eu notei que o Banco e a ONU já estavam com algumas iniciativas utilizando o celular na África e na América Central. Na África, eles estavam usando o celular para coletar informações de países em guerra ou de tribos super dispersas, em que é muito custoso e difícil fazer isso presencialmente. Agora, com o surto de ebola, eles usaram mais uma vez, e bem, o telefone celular para coletar informações sem precisar ir a campo. Na América Central, estavam monitorando a população pobre, quando os preços dos produtos mais básicos que eles consumiam subiram, para entender o impacto da pobreza, a segurança alimentar, etc. Mas, eles faziam isso de uma maneira ainda muito preliminar. Eles faziam, por exemplo, só SMS, o usuário pagava para responder e depois era compensado no final. Isso limitava muito a ferramenta, porque as pessoas, a gente sabe com a experiência aqui no Brasil, não respondem se você cobrar a participação. Ele já não tem crédito, então você já limitou. Só pode participar quem tem crédito. Como voz é muito mais caro do que SMS, e ainda com essa limitação, às vezes você fazia três perguntas no mesmo SMS. Então, aumentava a chance de erro, a qualidade das informações ficava prejudicada, etc. Quando vimos isso, foi ao mesmo tempo uma inspiração, porque parecia que a solução já estava ali, mas nós achamos que estavam muito aquém no potencial. Então, quando trouxemos para cá, fomos atrás de entender como usar a tecnologia com toda a sua capacidade. Começamos a usar muito mais voz (chamadas automáticas de voz), que é uma voz humana, mas o computador quem dispara essa chamada e o usuário responde apertando botões. É muito mais amigável, porque o usuário que responde não necessariamente precisa saber ler e escrever. Tudo que fazemos, nós chamamos de “cobrança reversa”, porque o usuário não paga nada, nem que seja chamada de voz ou SMS. Depois, a gente ainda dá crédito no celular pré-pago para que ele tenha um incentivo à participação. Nós nos inspiramos no que o Banco e ONU já estavam fazendo, mas levamos para um próximo nível. Nesse novo ano, estamos levando a ferramenta para outros patamares, integrando com internet. Vamos conseguir fazer como fizeram na Primavera Árabe, que na Síria, durante os protestos, havia uma preocupação de que a população pudesse reportar a violência do governo contra essas pessoas e o governo sírio cortou a internet. Então, tudo ficou limitado. O Twitter, então, fez uma parceria com empresas de telefone e as pessoas conseguiam mandar SMS que saíam direto no Twitter. Esse tipo de coisa a gente vai poder fazer também com o nosso sistema, a partir deste ano.

Como funciona a metodologia de vocês, trabalhando com esse tipo de levantamento?

Nós trabalhamos como um canal de comunicação. De um lado, nós coletamos dados, seja por SMS ou voz. Um exemplo concreto é no caso de avaliar a qualidade do programa. Há um processo de cadastramento. Nós não podemos sair ligando devido a exigências regulatórias e porque a participação fica muito pior. Nós fazemos um processo junto com o cliente de cadastrar e levantar esses números. Isso pode ser feito desde uma panfletagem em um posto de saúde até uma coisa sofisticada e tecnológica, como um disparo de SMS já localizado, usando triangulação de antena, por exemplo, para pegar as pessoas em torno do posto de saúde. Em um caso mais raro hoje em dia, o cliente já tem uma lista de telefones. O Governo, por exemplo, já fez um cadastro prévio. Uma vez que já temos o público com o qual vamos trabalhar, as coisas são todas centralizadas e o computador dispara SMS e voz. Então, pode vir a ligação e a pessoa, quando puder, atende e vai ser pedido a ela, por exemplo, para responder de 0 a 5 a qualidade do posto de saúde do seu município. A pessoa digita e nós temos essas respostas instantaneamente disponíveis. Nós trabalhamos essas informações para dar recomendações para o Governo, fundações, institutos, seja quem for o contratante, para melhorar a qualidade daquele programa ou a ação de impacto social. Para o indivíduo que respondeu, nós damos algum incentivo, que, na maioria das vezes, é um crédito no pré-pago. Nós tentamos integrar no telefone toda a solução. A ideia é que a gente faça essas duas pontes. A primeira é coletar os dados. O outro lado que temos usado cada vez mais é o de enviar informações. No Ceará, por exemplo, nós mandávamos para os produtores no sertão, super isolado, previsões oficiais de chuvas no município, o preço médio dos produtos que eles vendiam e etc. Então, você consegue apoiar esse indivíduo, que é muito vulnerável e meio abandonado pelo poder público, com informações que apóiam decisões muito complexas. O legal do celular é isso, nós conseguimos usar as duas direções do canal de comunicação.

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Quais foram os projetos que vocês já desenvolveram e quais são os próximos que você poderia destacar?

Nós começamos, na verdade, em 2013 com um projeto no Rio Grande do Norte, que era o maior programa social do estado, chamado Programa do Leite. Era um programa que distribuía leite para populações muito carentes que, supostamente, não tinham condições de comprar o leite por conta própria. O programa atendia 150 mil famílias, por dia. Um programa de 80 milhões, por ano, em recursos. Para um estado tão pobre como o Rio Grande do Norte, era o maior programa deles. A Secretaria de Planejamento fez um diagnóstico de que o programa funcionava muito mal e que iriam acabar com o programa. Então, eles contrataram a MGov para documentar 40 municípios do estado de maneira ágil para ver se de fato o programa funcionava mal como eles pensavam. O que nós fizemos, para mostrar como funciona essa logística da operação, foi usar a capilaridade do Governo para rapidamente, em duas ou três semanas, levantar 1000 telefones nos postos de distribuição de leite do próprio programa. Uma vez que fizemos isso, em uma ligação, sem custos para respondentes, fizemos algumas perguntas bem específicas sobre a qualidade da focalização. Tentávamos entender, por exemplo, se o indivíduo era realmente pobre, se realmente não tinha condições de comprar leite, se ele não comprava leite suficiente antes do programa, coisas nessa linha. Também tentávamos entender a qualidade da distribuição. Perguntávamos se o leite chegava na quantidade suficiente, na qualidade suficiente, na frequência correta, etc. Em um tempo muito curto, nós conseguimos documentar que o programa, de fato, funcionava muito mal. Por exemplo, 40% dos beneficiários não se encaixava no perfil de focalização do programa. Nós achamos que só conseguimos levantar isso, porque a pesquisa era por telefone e anônima. Perguntar face a face não funcionaria, porque o indivíduo tem medo de perder o benefício. A maioria dos municípios funcionava mal de verdade. Acontecia de o leite não chegar. Ao invés de chegar todos os dias, chegava duas vezes na semana. Às vezes, chegava com qualidade e quantidade inadequadas. Só que em um grupo pequeno de municípios que tinham uma gestão diferente, que era uma gestão municipalizada, funcionava muito melhor. Então, ao invés de o governo acabar com o programa, o que ele fez foi pegar esse modelo de gestão e universalizar, com um impacto potencial sobre essas 150 mil famílias. Então, nós começamos mostrando o potencial da ferramenta em um contexto que era difícil, sendo o sertão com um público muito simples e mesmo analfabeto. Mostramos que a metodologia podia funcionar mesmo com todos os desafios possíveis, alimentando diretamente o desenho da política. Esse foi um período longo de aprendizado. Em 2014, nós já voltamos atendendo a vários públicos e com bem mais projetos. Nós fizemos, por exemplo, um projeto em políticas sociais, em que avaliamos políticas de convivência com o semi-árido no Ceará em 54 cidades. Nós acompanhamos os produtores ao longo de quatro meses para entender os impactos da seca. Inclusive, não só sobre renda e consumo, mas também sobre capacidade de decisão, usando coisas bem modernas de pesquisa acadêmica sobre como é a escassez de água. Essa foi uma pesquisa em parceria com Harvard e nós devemos continuar este ano. Em políticas sociais, estamos monitorando alguns protótipos de educação financeira com as beneficiárias do Bolsa-Família. Esse é um projeto bem interessante, em que a ideia é que os recursos do programa possam ser usados não só para o consumo básico, mas até para a poupança ou mesmo para ajudar a começar um pequeno negócio. O que estamos fazendo é monitorar pelo celular o uso desses protótipos. E tudo por SMS. Em educação, ano passado, nós avaliamos um programa do Canal Futura, de primeira infância. Esse foi bem legal, porque foi em 631 cidades, em todos os estados do Brasil, mostrando realmente a capilaridade da solução. Nós também avaliamos o material didático no estado da Bahia, em 101 cidades, no programa Ciência na Escola. Em saúde, nós estamos avaliando ações de responsabilidade empresarial que vão melhorar os equipamentos de saúde pública da cidade Embu das Artes. Já fizemos uma coleta para entender as percepções da população sobre a qualidade dos serviços nos postos de saúde e unidades básicas. Nós acompanharemos até o meio deste ano para entender se as intervenções que estão acontecendo ali de fato vão melhorar as percepções. Nós usamos o SMS para ter, como chamamos na pesquisa, grupos de tratamento e controle para realmente poder documentar de forma rigorosa o que foi o impacto da intervenção e o que foi essa avaliação de percepções. Em mobilidade urbana, nós trabalhamos com o Greenpeace aqui em São Paulo com bastante tecnologia nova para engajar essa população com o Greenpeace e documentar as principais percepções sobre política de restrição ao uso do carro em mobilidade urbana. Então, esse foi o 2014 da MGov. Em 2015, nós esperamos fazer ainda mais coisa e estamos estreando agora fora do Brasil. Então, de janeiro a junho, nós estamos trabalhando com orçamento participativo de Boston, que vai dividir um milhão de reais para que seus cidadãos de 12 a 25 anos decidam como gastar. E aí nós fazemos toda a parte de engajamento por SMS e por voz para permitir que as pessoas submetam propostas.

É uma característica dos projetos a curta extensão ou calhou de acontecer assim?

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Realmente, são ações mais pontuais que nós temos feito por enquanto. Acho que a expectativa é que, em algum momento, a gente consiga fazer um programa mais permanente. Esse do Bolsa-Família, se for além da fase piloto que estamos fazendo agora, a ideia é que seja um canal de comunicação permanente com o público-alvo.

Na avaliação de vocês quais são as áreas que mais carecem de atenção por parte dos gestores públicos?

Essa pergunta é complexa, porque, de modo geral, a informação que a gente tem é muito pobre. Então, pode até ser que tenham gestores muito comprometidos, que tenham uma vontade de entregar. Ainda que estejamos na era do terabyte, nossa democracia está quase na era do byte. A cada quatro anos, nós somos convidados a contribuir com uma decisão binária. Então, isso é tão pobre que se para a gente é ruim, imagina para o lado do gestor. Como ele pode saber que tipo de serviço público está atendendo as necessidades da população se ele tem um feedback a cada dois ou quatro anos?

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Mesmo as pesquisas qualitativas não conseguem medir isso?

Elas são muito pobres. Você não consegue fazer coisas muito focalizadas geograficamente. Por exemplo, para você fazer uma pesquisa representativa de qualidade de serviços públicos para os noventa e tantos distritos de São Paulo, você precisaria de 25 mil entrevistas. Isso com uma grande empresa de pesquisa custaria na casa dos milhões. Então, isso é uma coisa muito inviável, ainda mais porque você gostaria de fazer na alta frequência, com várias coletas, entender como essa percepção muda ao longo do ano, etc. O que eles acabam fazendo são algumas pesquisas de percepção muito agregadas. Eles pegam um ponto de passagem na Avenida Paulista e perguntam as pessoas qual a prioridade de serviço público e o que mais precisa melhorar em São Paulo. A pessoa vai falar saúde e educação. Tudo bem, mas eu quero saber se tal hospital funciona. Então, essa informação é uma coisa que a gente consegue melhorar um pouco ao baixar muito o custo da coleta. Aí, também, tem muito mais capilaridade. Acho que precisamos avançar muito em todas as áreas. Eu já tenho até dificuldade de elencar uma prioridade, porque talvez sejam as prioridades para o país. Por exemplo, educação é uma coisa que o Brasil ainda precisa melhorar muito e é mais um exemplo de uma área que tem informação muito pobre sobre que tipo de intervenção dentro da sala de aula funciona. Será que o professor está realmente preparado? Como será que os alunos avaliam os professores? Nós ainda temos a educação com os melhores dados, comparativamente a outras dimensões. Ao mesmo tempo, sobre as dimensões mais relevantes, em que a política poderia interferir diretamente, nós continuamos tendo dados tão pobres quanto todo o resto. Mobilidade urbana em São Paulo também é outro exemplo que você poderia pensar.

E não é possível efetuar mudanças substanciais e qualitativas, no caso, sem a obtenção desses dados?

Nós achamos que é muito difícil, porque, às vezes, o Governo até faz coisas corajosas. Aqui em São Paulo, houve grandes mudanças, como faixa exclusiva de ônibus, ciclovias, que parecem ser coisas salutares. Mas, como avaliamos se isso, de fato, tem um impacto desejado? Sempre que falamos em políticas, sempre pensamos em alternativas. Raramente pensamos se isso funciona ou não, isoladamente. A questão é sempre entre as alternativas A e B e qual delas funciona melhor. Não basta só conseguir saber se o que eu fiz funcionou, mas também o que eu estou deixando de gastar. Então, quando botamos as coisas nesses termos, vemos que estamos ainda muito distantes. Nós temos uma ideia razoável e aproximada dos custos das coisas, mas dos impactos realmente nada. Essa cultura ainda não chegou aqui. Uma das coisas que brigamos é para trazer um pouco dessa cultura de avaliação de impactos.

Você acredita que é possível oferecer saídas concretas aos problemas do país ou mesmo de uma cidade ou região fugindo dessa discussão estritamente ideológica?

Nossa última eleição mostrou o quão polarizado está o debate. Eu acho que nós não temos uma cultura de debate. Temos uma cultura de time de futebol. Isso reflete um pouco dessa coisa de que política não se faz no dia a dia e que participação é uma coisa muito distante. Uma maneira de tornar as coisas mais propositivas para avançar o debate seria quase que segmentar a discussão. Nossa democracia já foi desenhada de uma maneira positiva nesse sentido, só que pouca gente sabe. Então, por exemplo, se eu tenho filhos na escola e só me interessa a merenda escolar, eu não estou interessado no que vai ser a política de inflação, de saúde, de mobilidade. Existe o Conselho Municipal de Merenda Escolar. Eu poderia participar desse conselho, que tem poder deliberativo de decidir coisas importantes, mas que, hoje em dia, é um conselho esvaziado, porque as pessoas não sabem que ele se reúne ou com que frequência há esse encontro. Então, a política das questões do dia a dia existe, mas as pessoas é que não participam. Talvez, um mecanismo seria valorizar e reinventar esse canais. Se esses conselhos funcionassem bem, as pessoas iriam participar, haveria discussões muito mais concretas e o engajamento se transformaria em mudança prática. Existem conselhos para tudo. Algumas iniciativas têm orçamento participativo que são salutares nesse sentido também, de mostrar para as pessoas que elas podem se engajar no seu bairro, que podem ter um papel nisso, que o voto delas importa, que elas podem propor soluções para a sociedade. Dessa forma, começa a mudar um pouco essa noção de que a política está super distante. Nós ainda estamos um pouco distantes disso aqui no Brasil, mas têm coisas novas para tentar reverter esse panorama. Tem soluções como o Colab, o aplicativo que deixa as pessoas reportarem problemas locais. Um pouco do que a gente faz é nesse sentido também, ou seja, permitir que o cidadão, sem intermediários, possa reportar a sua insatisfação. Então, é trazer a cidadania para a ponta do dedo.

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