Limite vai aumentar

O que e quando vale a pena comprar nos free shops

Especialistas dão dicas para realizar as melhores compras nesses estabelecimentos

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SÃO PAULO – Os free shops – lojas localizadas no interior de aeroportos que vendem produtos com isenções fiscais – são paradas obrigatórias para a maioria dos brasileiros que saem em viagem para o exterior.

Alguns  produtos comercializado em dólar, na cotação turismo, podem ser encontrados com um valor menor do que em lojas brasileiras. Porém, mesmo com a grande variedade de itens presentes nos free shops, alguns fatores devem ser levados em consideração para evitar gastos excessivos.

Se planejar com antecedência realizando pesquisas de preço dos itens desejados é unanimidade entre os especialistas ouvidos pelo InfoMoney.

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De acordo com Luiz Alberto Marinho, sócio Diretor da GS&Malls, a internet é o grande aliado neste momento. “O consumidor hoje está mais atento e disposto a fazer conta e comparação de preços”, afirma.

Já Carol Sandler, sócia e diretora de conteúdo da Ella’s Investimentos, destaca a importância de fazer uma lista de compras para saber exatamente o que o consumidor precisa e gostaria de comprar, frisando os produtos que costumam ter mais impostos embutidos aqui no Brasil.

“O ideal é chegar no free shop já sabendo o que vai comprar e quanto o produto custa nas lojas físicas, porque as compras são isentas de impostos locais, mas é preciso lembrar sempre do limite de compras por pessoa nesses estabelecimentos”, explica Sandler.

Atualmente em US$ 500, o limite de compras nos duty free vai dobrar a partir de 2020. A medida foi uma determinação do presidente Jair Bolsonaro ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que anunciou em outubro a mudança do valor que não era corrigido desde 1991.

Ana Paula Tozzi, presidente da AGR Consultores, acredita que essa medida irá melhorar a experiência de consumo e diminuir algumas manobras vistas durante o momento da compra, principalmente nas viagens em família ou coletivas – em que para uma compra vários passaportes eram recolhidos com o objetivo de usar as cotas de dólar de cada pessoa.

“Como agora existe restrição no número de malas que todo brasileiro deve trazer para o país, o viajante passou a ter no free shop a alternativa de comprar alguns itens para poupar espaço na mala”, explica.

Garantia e descontos

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Alinhada ao contexto de mudanças no setor, a política de precificação dessas lojas no Brasil também passa por alterações após anos de críticas de que os preços encontrados nos free shops do país eram os mais caros do mundo, segundo Tozzi.

Para se tornar mais competitivos, os duty frees passaram a adotar a cobertura do menor preço, ou seja, caso o consumidor dentro ou fora do país consiga comprovar que achou um produto com o valor inferior ao praticado na loja, ele tem a garantia de que comprará mais barato.

Essa condição, conta Sandler, gera uma vantagem na compra de itens eletrônicos – que possuem a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) em consoles e máquinas de jogos de vídeo, partes e acessórios entre 16% e 40% – e bebidas.

“É importante olhar geralmente quais são produtos que possuem mais impostos embutidos aqui no Brasil, basicamente bebidas e eletrônicos. Ainda assim, é bom na ida já ir sondando quais os itens que deseja comprar e ver também os preços no destino para fazer a comparação e decidir onde faz mais sentido comprar. Se for no free shop brasileiro, no desembarque o consumidor realiza a compra porque assim ele garante o melhor valor”, pontua a coach financeira.

Outra vantagem oferecida pelos estabelecimentos para facilitar a compra é conceder descontos usando os cartões de crédito da loja. No Duty Free Brasil e Dufry Shopping, os pagamentos feitos com o cartão da companhia dão 10% de desconto na compra total. Para produtos Apple e relógios, o desconto aplicado é de 5%.

“A Duty tenta dar ao consumidor essa garantia porque muitas vezes os consumidores ficam com aquela insegurança em saber se é mais conveniente não comprar enquanto estiver viajando”, salienta Marinho.

As lojas ainda possibilitam a condição de parcelamento em até 12x sem juros, a depender da bandeira e do valor gasto em Real ou Dólar.

“A vantagem de fazer uma pré compra no momento da saída é que o consumidor pode dividir o valor em real, sem IOF, com a vantagem de travar o dólar. Por isso é importante olhar a variação cambial e fazer uma análise em relação a taxa de conversão no cartão de crédito em compras internacionais para identificar o custo de oportunidade e saber se de fato a compra é vantajosa “, explica a consultora da GS&AGR Consultores.

Evite indulgencias e fique atento às cotas alfandegárias 

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O planejamento além de garantir a possibilidade de se fazer uma aquisição mais barata evita também a compra por impulso, segundo os especialistas. A opção de pre order reserva o item a ser comprado, dando uma maior comodidade ao consumidor que só precisa selecionar pagar e retirar o produto na loja no momento do desembarque.

“Fazer uma compra programada é fundamental para que no momento do resgate o consumidor evite de comprar coisas que não precisa”, pontua a Ana Paula Tozzi.

Cada país possui suas próprias cotas e regras sobre a quantidade de produtos que podem ser importados livres de taxas e imposto. Por ser responsabilidade do viajante cumprir a regulamentação, ele deve priorizar os itens a serem comprados dentro dos free shop.

No Brasil, o limite para bebidas alcoólicas é de até 24 garrafas, podendo ser até 12 por tipo de produto; na categoria tabaco é permitido 250g de tabaco preparado para cachimbo, 20 maços de cigarros de produção estrangeira (400 unidades no total) e 25 unidades de charutos ; perfumaria e cosméticos têm o limite de dez produtos por passageiro; para relógios e brinquedos, jogos ou dispositivos elétricos/eletrônicos, é permitida a entrada de três unidades cada.

O que vale ou não vale a pena comprar?

Entre as categorias de produtos mais procurados no free shop estão as bebidas alcoólicas. Por venderem kits de diferentes marcas, Tozzi pontua que a compra nestas lojas valem mais a pena quando o consumidor está em busca de quantidade.

Um kit com 12 unidades do uísque Johnnie Walker Red Label sai nas lojas Duty Free brasileiras por US $172,00, na conversão direta para a cotação turismo (em 19 de dezembro de 2019), o valor é de R$ 727,56. Em lojas brasileiras, o mesmo pacote é vendido entre R$ 881,91 e R$ 1.199,90.

Já a caixa com seis unidades de um litro da vodca Absolut Original sai no free shop por US $85,00 (R$ 359,55, na conversão). O mesmo produto em lojas nacionais com os impostos embutidos é encontrado a partir R$ 369,00.

Na categoria cosméticos, o perfume Light Blue – Dolce & Gabbana de 100 ml pode ser encontrado no free shop a US $97,00 (R$ 410,31 em reais). Em players locais, é possível encontrá-lo a partir de R$ 418,50.

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O último lançamento da linha X do XBox, o One X Microsoft é vendido nos free shops por US $499,00, em reais o valor é de R$ 2.114,96. No Brasil, o vídeo game sai à vista por R$ 2.499,99, ou R$ 3.999,00 a prazo.

Produtos de necessidade e urgentes são mais caros nos Duty Frees de aeroportos. Itens como malas e acessórios de uso pessoal, por exemplo, para Tozzi devem ser comprados no destino da viagem.

Outros itens de tecnologia como o iPhone, possuem preços bem parecidos com os praticados em lojas físicas e e-commerces nacionais. Esta é outra categoria que exige pesquisa, porque, a depender do local final do consumidor, ele pode encontrar um modelo mais novo que ainda não é vendido nos free shops de aeroporto e em um preço mais interessante.

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