O livro didático que já sabe quando alguém vai ser reprovado

Instrutores conseguem saber exatamente quanto foi lido, quanto tempo levou a leitura e muito mais a respeito dos hábitos de estudo

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(SÃO PAULO) – Os professores universitários já não precisam pedir que os alunos levantem a mão para responder à temida pergunta: “Quem leu a bibliografia?”. Graças aos livros didáticos digitais, os instrutores conseguem saber exatamente quanto foi lido, quanto tempo levou a leitura e muito mais a respeito dos hábitos de estudo. E, independentemente do que os estudantes pensam sobre suas habilidades de leitura dinâmica, um novo estudo mostra que quanto mais tempo o estudante universitário passa lendo a bibliografia, melhores são suas notas no curso.

O estudo acompanhou 236 alunos da Texas A&M University-San Antonio que utilizavam livros didáticos digitais para ver que tipo de informações poderiam prever melhor seu sucesso no curso. Será que importa quanto tempo os estudantes passaram lendo? Ou era mais importante que eles “lessem ativamente”, por exemplo, sublinhando o texto? Afinal, descobriu-se que o mais importante é a quantidade de minutos dedicados à leitura — esse número foi melhor do que o histórico acadêmico para determinar se um estudante se sairia bem no curso.

O problema é que os alunos simplesmente não estão lendo. Os estudantes que participaram do estudo leram em média 169 minutos — ou duas horas e 49 minutos por semestre –. “Não é que os estudantes tenham um excesso de trabalho ou foi exigido que lessem uma quantidade absurda. A leitura foi bastante adequada para estudantes universitários”, diz Reynol Junco, professor da Universidade do Estado de Iowa que conduziu a pesquisa.

‘Índice de envolvimento’

A CourseSmart, empresa que criou os livros didáticos digitais usados no estudo, oferece um “índice de envolvimento” que os professores podem avaliar para cada estudante. Trata-se de uma medida que inclui tanto o tempo de leitura quanto a leitura ativa. O índice também sabe se você dormiu com o livro aberto e pode ajudar a prever o rendimento acadêmico e identificar estudantes que correm o risco de serem reprovados.

Os leitores ativos também representaram uma minoria, embora os dados tenham mostrado que os estudantes com um alto índice de envolvimento se saíram melhor nas aulas. O relatório mostrou que “a maioria dos estudantes não sublinha, não faz anotações, nem usa marcadores em seus livros didáticos digitais”.

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Os estudantes que usam livros didáticos digitais podem se sentir um pouco perseguidos por saber que seus hábitos de estudo podem ser espionados, mas a prática traz um benefício notável, diz Junco. A verificação dos hábitos de estudo pode ajudar os professores a identificar quais estudantes estão com problemas antes de eles serem reprovados em um teste importante — e ajudá-los.

Por Sarah Grant