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SÃO PAULO – Os gastos da favela Caju, situada no Rio de Janeiro, foram avaliados em 2003 ao lado de outras comunidades carentes localizadas em Caracas, na Venezuela, e em Buenos Aires, na Argentina. O resultado foi divulgado na última sexta-feira (3) durante Fórum Regional do Conselho Mundial de Energia.
No caso brasileiro, foram entrevistados líderes comunitários, jovens e empresários. Constatou-se que os moradores do Caju são jovens, sendo que 20% são crianças abaixo dos 10 anos e 30% dos moradores acima de 16 anos não têm emprego.
Gasto com energia no Brasil é maior
Um dado que chamou a atenção é o perfil dos gastos desta parcela da população. Só com energia elétrica e gás de botijão (GLP), os moradores da favela comprometem cerca 15,57% de sua renda, contra 4,1% na Inglaterra, 5,2% nos Estados Unidos, e 7,6% na Argentina.
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“A energia não elimina a pobreza, mas é uma forma que pode ajudar, porque melhora o nível de vida das pessoas, ou o que se chama de exclusão social”, afirmou o presidente do Comitê Brasileiro do Conselho Mundial de Energia (CME), Norberto Medeiros.
Subsídio à energia para o combate à pobreza
Ele diz que o custo da energia no País é muito alto para quem ganha pouco. Vale notar que, tanto no Brasil quanto na Argentina, 45% e 35%, respectivamente, da conta de luz são compostos de impostos. Já na Venezuela, não há esse tipo de tributação.
Para Medeiros é importante que as conclusões do estudo sirvam de orientação para os governos na elaboração de políticas de redução da desigualdade social. Apesar disso, o CME não defende subsídios à eletricidade, e sim o direcionamento de mais recursos aos programas de incentivo à educação, como o Bolsa Família e o Bolsa Escola, por exemplo.
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Para a presidente do Comitê de Estudos do CME, Elena Nekhaev, esses incentivos precisam estar ligados a critérios de desempenho, como o das crianças que ficam mais tempo na escola. No passado, Nekhaev chegou a propor aumento das tarifas para diminuir o consumo de energia, e evitar situações como o apagão de 2001.
Onde os subsídios devem chegar
De acordo com o Banco Mundial (Bird), existem ao redor do mundo entre 1,6 bilhão e 2 bilhões de pessoas sem acesso à energia.
Nos países latino-americanos, esses subsídios praticamente não chegam às pessoas mais pobres, apesar de 80% da população morar nas cidades. Ainda segundo a instituição, a parcela que mais sofre com a falta de energia é formada por mulheres e crianças de países pobres.
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Essas informações são da Agência Brasil.