Consumo no Brasil

Netshoes, Carrefour e Banco Inter revelam estratégias para a Black Friday mais digital da história brasileira

A pedido do Google, a Provokers realizou um estudo para determinar as tendencias do comportamento do consumidor brasileiro na Black Friday

Mulher realizando compras na internet, com uma sacola ao fundo dizendo "Black Friday"
(Shutterstock)

SÃO PAULO – A Black Friday de 2019 será a primeira em que o número de compradores em lojas online deve praticamente igualar as compras em lojas físicas no Brasil, de acordo com uma pesquisa realizada pela Provokers a pedido do Google. Isso significa que as varejistas, mais que nunca, devem se preparar – operacionalmente e na frente de divulgação e marketing – para enormes volumes de compras.

A tendência para 2019 é que 38% dos consumidores comprem apenas em lojas online. Em comparação, 37% dos entrevistados alegaram que apenas comprarão em lojas físicas. O restante pretende mesclar as duas modalidades. É um dado que, mais uma vez, revela a necessidade das empresas brasileiras focarem em suas operações digitais para manter sua relevância.

Paula Cardoso, CEO do Carrefour Digital, disse no evento de divulgação dessa pesquisa que um dos entraves principais para que uma companhia mais tradicional sofra uma transformação desse porte é a cultura de negócios. Para ela, o problema em si não exatamente em saber o que fazer digitalmente, mas sim o como essa transformação vai se desdobrar.

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“O problema está em como conectar as pessoas [da empresa] para que elas trabalhem de forma diferente. É uma alteração no mindset de processo decisório, de velocidade. São competências diferentes que a empresa precisa para se adaptar as vontades dos consumidores. É necessário atuar diferente para conseguir realizar essa mudança”, explica Paula.

Paula também explicou qual foi o maior desafio, em termos práticos, de adaptar a cultura ao processo da mudança digital e fazer com que a mesma se transforme em uma aliada na modernização das estruturas da empresa.

“A dificuldade está em fazer com que as pessoas participem desse negocio. Não só quem trabalha, mas o consumidor também. Faça as áreas da empresa se comunicarem e entenderem as reais necessidades de quem consome. É necessário criar as alavancas certas”, disse a executiva.

Márcio Kumruian, CEO da Netshoes, viu seu negócio já nascer digital, mas terá agora o desafio de uma primeira operação como parte de um grupo gigante – o Magazine Luiza.

“A Black Friday é como uma final. É preciso jogar com tudo. Você precisa colocar os melhores produtos, as melhores ofertas, o melhor visual, a melhor entrega e a melhor campanha. A empresa precisa estar muito preparada para essa data, porque os consumidores buscam as melhores experiencias, não é só preço que vale na Black Friday”, explica Kumruian.

A integração com o Magalu irá trazer novidades, de acordo com ele. “Estamos preparando promoções novas baseadas em escolher a melhor oferta para cada cliente naquele momento. E essa proposta integra muito com a visão da Magalu, já que buscamos o melhor dos dois mundos, integrando o sistema da Magalu com os produtos e a cultura inovadora da Netshoes”, diz Kumruian. “Vamos emprestar produtos da Net para eles [Magalu], mas isso não é tudo. Aguardem que haverá muitas novidades em novembro”, conclui o CEO.

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João Victor Menin, CEO do Banco Inter, lembrou que não é só no varejo de produto que ocorrem as ações de Black Friday. Com histórico de promoções na data, o Inter lembra que não nasceu digital. “Nós eramos uma instituição financeira muito tradicional [Banco Intermedium] e vimos que, caso não fizéssemos essa transformação digital, ficaríamos de lado. A única forma que encontramos de nos inserir no varejo bancário foi através da transformação digital”, diz João Vitor Menin, CEO do Banco Inter.

Para Menin, a acessibilidade e a crescente disponibilidade da tecnologia no Brasil foram os principais pontos disruptivos para conseguir cada vez mais clientes – e esse deve ser o tom das próximas Black Fridays.

Outros dados da pesquisa

De acordo com a mesma pesquisa do Google, a intenção de compra dos brasileiros durante a Black Friday aumentou em 58% em comparação ao ano passado e o gasto médio dos consumidores será de R$ 1.300.

O estudo também relata que, para o consumidor brasileiro, a Black Friday não é apenas um dia de desconto e promoções, mas sim um fim de semana, ou até mesmo um mês inteiro para aproveitar os melhores preços, já que 76% dos consumidores entendem que a data é mais que só a sexta-feira e que a atenção para aproveitar as promoções deve ser redobrada no mês de novembro.

“Para o movimento de crescimento das vendas, o aumento de sortimento de produtos, e a expansão, 24 horas é muito pouco para que os brasileiros façam tudo o que eles querem fazer”, diz Diego Venturelli, gerente do Varejo do Google Brasil.

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